
Beleza real: coleção Fenty x Puma, da cantora Rihanna.
A indústria da moda, sempre criticada pela falta de representatividade, parece estar caminhando para novos rumos. Ao longo dos últimos anos e, especialmente em 2016, vimos marcas importantes voltarem seus holofotes para a beleza real, com uma estética que celebra as diferenças e valoriza a individualidade. Muitos dos mais comentados castings do ano foram formados por uma mistura entre modelos tradicionais, representados por agências, e indivíduos comuns, escolhidos através da internet ou mesmo pelas ruas.

Beleza Real: a marca Yeezy, do rapper Kanye West, é conhecida por fazer castings com pessoas comuns
O ativismo digital ajudou a introduzir uma definição mais ampla de beleza, já que as mídias sociais nos permitem ver diariamente pessoas que fogem ao padrão estético, e são naturalmente belas por isso. A popularidade online também beneficiou as modelos de agências tradicionais, que faturam diversos contratos publicitários através de seu grande número de seguidores. A ruptura nos modelos tradicionais permite que elas expressem sua própria personalidade, ao invés de mostrar apenas uma imagem cuidadosamente calculada.
As semanas de moda foram fortemente impactadas por essa tendência comportamental, com a última edição da NYFW sendo apontada como a mais body-positive de todos os tempos.
A marca J.Crew escolheu seus modelos entre os próprios funcionários e amigos da marca, lançando a coleção Primavera/Verão 2018 com um time de belezas multiétnicas e cheias de personalidade.
Christian Siriano seguiu o mesmo caminho, valorizando a beleza real e abrindo caminhos para uma indústria mais aberta e próxima do seu público. No começo do ano, o designer já havia convidado a atriz Danielle Brooks, para estrelar sua campanha de verão.

J.Crew SS 17 – campanha valoriza a beleza real

Danielle Brooks para Christian Siriano à esquerda; na direita, o desfile da marca na NYFW
No Brasil, o rapper Emicida foi responsável pelo desfile mais comentado e aplaudido da SPFWN42, da marca estreante LAB. O casting trouxe a beleza das ruas para passarelas, levando o empoderamento ao máximo através de peças sem gênero, com estampas que destacavam o orgulho do cantor pelas suas raízes, como o moletom “I Love Quebrada”.





