
Você terá chance de um dia ouvir num curso: não precisa saber tudo, mas tem que conhecer quem sabe… Ao ouvir isso pela primeira vez parece ter lógica, mesmo porque não dá para discutir tudo sobre macro economia e bacalhau gratinado. O fato é que, no fim, isso sempre soa vago e nem sempre as pessoas estão dispostas a dar opinião sobre aquilo que elas mesmas não têm certeza.
Quem tem mais de 25 anos, muitas vezes tem medo do teclado dos computadores. São fascinantes, intrigantes e dizem que podem guardar tudo. Mas, trás dúvidas “será que não preciso guardar MESMO nenhum papelzinho? ”. Dizem que não, fica tudo on-line, tudo dentro do computador. Dá para sintonizar rádios, ver os vídeos e fotos da família, dá para fazer pesquisas… Dá para quase tudo, mas eu mesmo não sabia como.
Certa vez, numa entrevista de emprego o entrevistador com cara muito séria me fez uma pergunta que parecia ser definitiva para a vaga “você sabe usar a internet?” eu não sabia, mas era responder “não” e dar tchau à vaga… Respondi com igual seriedade “sei fazer downloads e fazer upgrades”. Não sabia o que era isso, mas já tinha lido e as palavras soavam importantes. Hoje sei que ele sabia menos que eu e eu garanti a vaga. Hoje é melhor você saber algo, mesmo. Não se arrisque.
Ainda fico envergonhado com meus sobrinhos baixando vídeos e músicas. Compõem músicas eletrônicas, jogam on-line, conhecem sites legais, conhecem pessoas. Eu fico ali olhando para o monitor e vou direto para o joguinho das cartas (este sim é seguro). De vez em quando alguém mostra Nova Iorque vista pelas fotos de satélite, traçam a rota de um lugar para outro. Mas eu olho aquilo tudo, acho o máximo, mas volto para o meu jogo de cartas. Dá medo do idioma, das telas, do excesso de informação…
Sou um analfabeto virtual. Na verdade estou deixando de ser. E está sendo uma descoberta – para mim mais importante que a descoberta da penicilina. E meu mestre tem sido o Senhor G.! Grande guru. Senhor que tudo sabe. O universo se curva a diante de seu conhecimento. Estas referências são dramáticas, mas justamente pelo espaço que há para um tributo a este senhor (não tão velho assim) que responde sem nada cobrar.


