
A São Paulo Fashion Week chega em sua 42ª edição, com mudanças no formato e adições bastante interessantes ao line up. Guiada pelo prefixo TRANS, que representa transformação, transgressão e transição, a SPFW foi a primeira semana de moda do mundo ao adotar o conceito see now buy now e ainda conta com desfiles, exposições e ciclos de palestras. A edição N42 começou nesse domingo, dia 23 de outubro, e vai até a sexta feira, dia 28.
Aqui no Fashion Bubbles temos pesquisado a temática de uma Cultura Trans desde 2015, em artigos embasados por diversos filósofos, como Jean Baudrillard e Melinda Davis:Estamos em uma sociedade Trans? Reflexões sobre a TRANS Cultura, o movimento Transexual e seu impacto em uma sociedade de Transição.
Upcycling – a nova reciclagem
Entre as inovações propostas nessa edição, o Upcycling aparece como uma nova maneira de pensar o consumo. O termo serve para cunhar o processo que transforma resíduos ou produtos em novas peças, de maior valor, dando uma utilidade diferente para materiais e objetos que seriam jogados fora. Destaque para a estilista Fernanda Yamamoto, que brincou de construir e desconstruir modelagens, com peças criadas a partir de ourelas da indústria de camisaria, que seriam descartadas. Além disso, ela também trouxe delicadeza para as peças com bordados feitos de retalhos de couro, borracha e cristais, criando peças belas e poéticas.

Fernanda Yamamoto SPFW – N42 / foto: Ze Takahashi / FOTOSITE
Na marca A La Garçonne, comandada pelos estilistas Fabio Souza e Alexandre Herchcovitch, o processo de criação parte do vintage para depois ser mixado com novas informações. As jaquetas de couro vintage, por exemplo, são fruto de um garimpo criterioso, que foi enriquecido com pinturas manuais. Outras peças ganham aplicações de tecidos achados ao redor do mundo, como no abrigo de neoprene com pedaços de guipure provenientes de um vestido de 1800, levando o termo upcycling ao seu máximo.

A La Garconne SPFW – N42 / foto: Ze Takahashi / FOTOSITE
Representatividade e empoderamento
O desfile mais comentado e aplaudido da edição foi da estreante LAB, do cantor Emicida. Desde o casting com modelos de corpos diversos até as peças com estampa “I love Quebrada”, tudo levava o empoderamento ao máximo, fazendo da moda uma ferramenta para dar voz às ruas. Vale também destacar a pegada street dos looks, com peças bem construídas e sem distinção de gênero.







