Após dois anos com edições online, por conta da pandemia, a SPFW – São Paulo Fashion Week, um dos maiores eventos de moda da América Latina, retomou suas atividades presenciais. Nessa edição, a N53, sob o tema “In.Pactos”, a fashion week apresentou um lineup híbrido, com desfiles digitais e físicos – estes divididos em duas locações diferentes na cidade de São Paulo.
Os desfiles da noite aconteceram no Komplexo Tempo, na Mooca, dentro de uma atmosfera disruptiva e industrial – seguindo o mood proposto pela edição. Enquanto isso, os desfiles da tarde foram concentrados no SENAC Lapa, uma das instituições que oferecem curso de Design de Moda em São Paulo. Essa foi uma escolha assertiva, principalmente por oportunizar a aproximação do ambiente de formação profissional e os novos profissionais do mercado da vivência prática do segmento.
Ao todo, em cinco dias, foram mais de 50 desfiles apresentados. A seguir, você confere alguns dos destaques que passaram pela passarela da SPFW nesta edição.
Quais foram os destaques do SPFW?
Igor Dadona

Após dois desfiles virtuais mostrados durante o período mais grave da pandemia, Igor Dadona estreou na versão presencial completando sua narrativa desse período de reclusão, vivido em nível pessoal e global, com a coleção BRONTE (trovão, em grego). Para suas novas criações, ele fez um mergulho nas profundezas dos mares para traduzir as angústias de dois anos de pandemia.

A inspiração nas águas é uma retomada, de forma mais vibrante e em forma de mergulhadores. Assim surge mergulhadores e alusões a figuras aquáticas, que surgem das profundezas a superfície, do dramático ao colorido, da alfaiataria a desconstrução. A make escolhida ajudou a traduzir essa narrativa, com um mood desconstruído, veio com o frescor de indivíduos que acabaram de emergir de um mergulho.

As peças apresentadas carregam bagagens e “acumulam” objetos. As sobras de tecidos na sua produção foram agregadas às modelagens de cada roupa, como nossas experiências, resultando num trabalho repleto de detalhes na sua construção, processo que aponta para o futuro da marca. Os looks da coleção são híbridos, característica já marcante na trajetória de Igor Dadona, e trazem as cabeças de Davi Ramos, que assina com Flávia Pommianosky o styling da apresentação.

O fundo do mar e seus mistérios são traduzidos ainda no uso de tecidos que vão desde os reluzentes cetins bucol, sarja acetinada, seda à tricoline e o moletom, num aprimoramento de seu trabalho de alfaiataria. O material ajuda a criar shapes que são fluídos nos tops e justos e retos nas calças.
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Misci

Outro dos grandes destaques da SPFW foi a Misci.
Depois de termos os significados dos nossos símbolos nacionais esvaziados politicamente nos últimos anos, a Misci se propôs a levar para a passarela um orgulho quase que ufanista na coleção “Eva: Mátria Brasil”, um resgate da importância da mãe Brasileira.

Na coleção há uma ode à figura feminina. Os pilares patriarcais brasileiros são colocados de lado para enaltecer a importância da mulher, da mãe, brasileira. Isso é feito a partir de um resgate dos nossos símbolos nacionais; as cores da bandeira, as artesanais e a cartela terrosa.

Detalhes como o mapa do Brasil e aplicação de chupetas bordadas conduzem para a narrativa pensada pelo estilista Airon Martin. A cartela de cores se completa com tons de vermelho, mais uma lembrança a força feminina. E claro, como cereja do bolo, as bags que viraram item de desejo dos fashionistas pontuando o styling.

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