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    Saúde—

    Ludopatia, a doença do "vício em jogos de azar", tem tratamento?

    Foto de Laila Lopes

    Laila Lopes

    5 min de leitura

    Um homem visto de costas sentado em um sofá em uma sala escurecida durante a madrugada. A televisão está ligada ao fundo, emitindo um brilho azulado que ilumina suavemente o ambiente. O foco principal está em suas mãos segurando o smartphone, cuja tela é claramente visível mostrando um jogo de caça-níqueis digital com tema de tigre (jogo do tigrinho), com cores vibrantes e elementos de cassino. O homem está levemente curvado para frente, com os ombros tensos, sugerindo concentração intensa no jogo. Ele veste uma camiseta simples e o ambiente ao redor é comum, sem elementos exagerados. A composição é horizontal, capturando tanto o homem quanto parte do ambiente doméstico. Fotografia documental com iluminação realista, onde o contraste entre a luz da TV e a luz mais intensa e colorida da tela do celular cria uma atmosfera autêntica de jogo noturno. Estilo fotojornalístico profissional, com foco nítido e detalhes precisos.

    A ludopatia, reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença, representa um desafio crescente na sociedade moderna. Este transtorno mental caracteriza-se pelo impulso incontrolável de jogar, mesmo diante de consequências devastadoras para a vida pessoal e financeira do indivíduo.

    Com a proliferação das plataformas de apostas online, o acesso aos jogos de azar tornou-se mais fácil do que nunca, colocando literalmente o cassino na palma da mão dos brasileiros. Dados do Senado Federal apontam que a ludopatia já é o terceiro vício mais frequente no país, afetando aproximadamente 2,78 milhões de pessoas, ficando atrás apenas do álcool e do tabagismo.

    O que é uma pessoa ludopata?

    Uma pessoa ludopata é aquela que sofre de um transtorno de controle de impulsos relacionado aos jogos de azar. Diferente de quem joga ocasionalmente por diversão, o ludopata desenvolve uma relação doentia com as apostas, sendo incapaz de parar mesmo quando enfrenta graves consequências.

    A imagem mostra uma mulher sentada no chão, de frente para uma janela com cortinas. Ela está em silhueta contra a luz, com as mãos no rosto, sugerindo angústia ou choro. O ambiente parece íntimo, com foco na figura e nas cortinas que a emolduram.
    Fonte: Canva
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    O mecanismo da ludopatia funciona de maneira semelhante à dependência química. Quando a pessoa aposta, seu cérebro libera dopamina, ativando o sistema de recompensa e gerando uma sensação de prazer intenso. Com o tempo, o cérebro passa a associar o jogo a essa recompensa, criando um ciclo vicioso difícil de quebrar.

    Pesquisas recentes demonstram que a fissura experimentada pelos jogadores compulsivos pode ser tão ou mais intensa que a sentida por dependentes de cocaína ou álcool. O problema não está apenas em ganhar, mas na adrenalina do processo de apostar, que se torna um ritual obsessivo.

    Quais os sintomas de ludopatia?

    Identificar a ludopatia nem sempre é fácil, pois o desenvolvimento do vício ocorre gradualmente. Diferente de outras dependências, não há sinais físicos evidentes, tornando crucial reconhecer os comportamentos característicos:

    Sinais comportamentais:

    • Preocupação constante com jogos e apostas;
    • Necessidade de aumentar progressivamente os valores apostados;
    • Tentativas frustradas de controlar ou parar de jogar;
    • Irritabilidade quando tenta reduzir as apostas;
    • Uso do jogo como escape para problemas emocionais.
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    Homem de terno com as mãos acorrentadas ao celular, segurando-o enquanto um cadeado dourado prende a corrente. A imagem sugere uma dependência, talvez em relação à tecnologia ou uma alusão à ludopatia, com um sofá de couro em segundo plano.
    Fonte: Canva

    Financeiros:

    • Tentativas desesperadas de recuperar perdas apostando ainda mais;
    • Empréstimos frequentes ou venda de bens para financiar apostas;
    • Mentiras sobre gastos com jogos;
    • Comprometimento significativo da situação financeira.

    Sinais sociais de ludopatia:

    • Isolamento de amigos e familiares;
    • Negligência de responsabilidades profissionais;
    • Mentiras recorrentes sobre o tempo gasto em apostas;
    • Risco ou perda de relacionamentos importantes.

    Um caso específico, relatado pelo G1, da cozinheira Patrícia ilustra perfeitamente essa progressão: começou jogando por curiosidade e, em apenas dois meses, perdeu R$ 80 mil em economias, recorrendo a empréstimos para continuar apostando. O que parecia um passatempo inofensivo transformou-se rapidamente em um pesadelo financeiro e emocional.

    Como se chama o vício em apostas?

    O termo técnico para o vício em apostas é ludopatia, também conhecido como jogo patológico. A palavra deriva do latim “ludus” (jogo) e “pathe” (doença ou sofrimento). No Brasil, a condição possui classificação oficial no Código Internacional de Doenças (CID) sob os códigos 10-Z72.6 (mania de jogo e apostas) e 10-F63.0 (jogo patológico).

    Este transtorno é reconhecido pela OMS desde 2018 como uma condição médica legítima que requer tratamento especializado. A ludopatia não discrimina idade, gênero ou classe social, embora estudos indiquem maior prevalência entre homens, jovens adultos, pessoas solteiras e indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

    Uma mão segura um smartphone exibindo um aplicativo de apostas com resultados de jogo, possivelmente simulando o Bet365. Ao fundo, uma partida esportiva é projetada para uma multidão, ilustrando o engajamento com apostas online e a potencial ligação com a ludopatia.
    Fonte: Canva

    Fatores de risco adicionais incluem:

    • Histórico familiar de problemas com jogos;
    • Exposição precoce a ambientes de apostas;
    • Experiência de uma grande vitória inicial;
    • Proximidade residencial a locais de jogos; enfim
    • Predisposições genéticas e neurobiológicas.
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    Como curar a ludopatia?

    A recuperação da ludopatia é possível, mas requer um compromisso sério com o tratamento. Diferentemente do que muitos acreditam, raramente um ludopata consegue superar o vício sozinho. O processo de recuperação geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar:

    Tratamento psicológico para ludopatia:

    • Terapia cognitivo-comportamental: ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento distorcidos relacionados ao jogo;
    • A terapia de aceitação e compromisso (ACT): trabalha a redução do sofrimento e a eliminação gradativa do impulso pelo jogo;
    • Terapia em grupo: proporciona suporte de pessoas que enfrentam desafios semelhantes

    Tratamento psiquiátrico:

    • Medicamentos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina podem ser prescritos para tratar sintomas de ansiedade e depressão associados.
    Homem sentado no chão, encostado em uma parede de tijolos e outra bege, com as mãos na cabeça em sinal de desespero ou tristeza profunda. A postura e o ambiente sugerem angústia, talvez relacionada a problemas pessoais ou impactos da ludopatia.
    Fonte: Canva

    Grupos de apoio:

    • Organizações como a Irmandade de Jogadores Anônimos, ativa no Brasil desde 1993, oferecem suporte contínuo baseado no modelo de 12 passos.

    Apoio familiar:

    • O envolvimento da família no processo de recuperação é fundamental, pois o vício afeta todo o círculo social do ludopata.

    Medidas práticas:

    • Restrição de acesso a dinheiro e crédito;
    • Bloqueio de sites de apostas;
    • Desenvolvimento de novos hobbies e interesses;
    • Reestruturação da rotina diária.

    É importante ressaltar que a recuperação não é linear e recaídas podem ocorrer. Por isso, o acompanhamento profissional contínuo e o suporte social são essenciais para manter a abstinência a longo prazo.

    Ludopatia: conclusão

    A ludopatia é uma doença séria que requer atenção médica especializada. Se você ou alguém próximo apresenta sinais de vício em apostas, busque ajuda profissional imediatamente.

    Lembre-se: reconhecer o problema é o primeiro passo para a recuperação. Visite nossa categoria Saúde para mais informações sobre transtornos compulsivos e caminhos para o bem-estar mental.

    Enfim, o Fashion Bubbles te convida a ler também Dicas de decoração para quem tem TDAH: 10 cores de tinta que trazem tranquilidade e foco. Ou então, confira mais sobre saúde em nossa categoria.

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