Um dos maiores nomes da arte nacional, Fernanda Torres, já foi premiada por trabalhos na TV, cinema e teatro. Contudo, ao longo de sua carreira, a atriz fez pouquíssimas novelas. O maior gênero da televisão brasileira e cartão de visitas para o audiovisual mundial, não deu “match” com a filha de Fernanda Montenegro.
Segundo nossas contas, Fernanda Torres fez apenas quatro folhetins. Em 1986, ela protagonizou o remake de Selva de Pedra. A novela foi escolhida a dedo pela Globo para substituir o fenômeno, Roque Santeiro. Contudo, os planos não saíram como o esperado. A novela não caiu no gosto do público e Fernanda não gostou de ser a “mocinha” do horário nobre.
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A imprensa da época (1985/1896) conta que Selva de Pedra era para ser protagonizada por Lucélia Santos, que ainda colhia os louros do grande sucesso que foi A Escrava Isaura. Contudo a direção da Globo optou por remanejar Lucélia para a trama das seis, Sinhá Moça. Os diretores então resolveram apostar num novo nome: Fernanda Torres.
Na época, Fernanda estava em alta no cinema nacional. No entanto, ser protagonista de uma novela é quase que uma maratona, e Fernanda tinha uma enxurrada de cenas para gravar diariamente. Ela mesmo disse que não foi uma boa ideia ter aceitado o convite.
“Fiz filmes em sequência. Eu fiz ‘Inocência’ [1983], ‘A Marvada Carne’ [1985] e ‘Com Licença, Eu Vou à Luta’ [1986]. Em um momento de prepotência juvenil, eu disse: ‘Agora quero fazer uma novela das 21h’ –das 20h na época. Aí surgiu o remake de ‘Selva de Pedra’ para interpretar o papel que foi de Regina Duarte na versão original de 1972. E lá fui eu” – contou Fernanda no programa, “Arena dos Saberes”, da TV Cultura.
De maneira idêntica, Fernanda afirmou que os ritmos de cinema e novela eram bem diferentes: “Odiei. Aquele papel de mocinha, que ficava chorando, e eu não sabia o volume de gravação… E ainda calhou de ‘Eu Sei que Vou te Amar’ [1986] ir pra Cannes na mesma semana em que a personagem na novela ia pra Nova York. Fui a Cannes, voltei para gravar em Nova York, foi uma loucura”.
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