Ainda existem muitas incógnitas de como será o mundo da moda pós-pandemia, e o futuro da roupa que vamos habitar está aberto. Para especialistas do setor, o mundo tende a flertar com um receituário mais protecionista, o que vai levar a uma “desglobalização” das cadeias de produção, além de colocar uma lente de aumento em valores como a sustentabilidade, propósito e começar diminuir à cultura de excessos e desperdícios.
Novas cadeias de produção na moda pós-pandemia
Entre os impactos da pandemia do novo coronavírus na economia mundial, o modelo de cadeias globais de produção é um dos mais afetados.
Como muitas outras indústrias, o mundo da moda há muito tempo abraça a China como fonte de fabricação – o país é de longe o maior produtor mundial de têxteis e fornece muitos dos outros elementos que vão para as roupas: de botões a zíperes e fios. Essa dependência agora está se mostrando desastrosa.

Se antes o mais importante era obter um insumo pelo custo mais baixo, agora, por questão de segurança, as empresas vão começar a olhar para produções em regiões mais próximas e vão querer diversificar o local de produção.
“Desglobalizar” as cadeias de produção da moda, no entanto, é um desafio mais complexo do que parece. Atualmente, a indústria global está avaliada em US$ 2,5 trilhões, de acordo com levantamento da consultoria McKinsey. Pois nela está um mercado construído por técnicas seculares e mantido por inúmeros trabalhadores.
Veja também: O vírus da desglobalização – O que muda no mercado pós-pandemia?
Indústria da moda no Brasil: Dados e Números
Com quase 200 anos, a indústria da moda no Brasil tem uma cadeia têxtil completa. Da produção das fibras, como plantação de algodão, até os desfiles de moda, passando por fiações, tecelagens, beneficiadoras, confecções e varejo. O país é referência mundial em sapatos, design de moda praia, jeanswear e homewear e tem crescido em moda fitness e lingerie.

Moda gera empregos, confira números
O setor é o segundo maior gerador do primeiro emprego e cria 1,479 milhão de empregados diretos e 8 milhões de indiretos. Representa 16,7% dos empregos e 5,7% do faturamento da indústria de transformação e seu segundo maior empregador, atrás de alimentos e bebidas (juntos). 75% da mão de obra é feminina.
No consumo, o varejo de vestuário no país somou R$ 231,3 bilhões em 2019, enquanto o de calçados soma R$ 55,4 bilhões.







