Ir para o conteúdo
    Negócios & Indústria da Moda—

    Agrotóxicos – Do PL do Veneno ao mundo da moda, entenda a polêmica

    Agrotóxicos – Do PL do Veneno ao mundo da moda, entenda a polêmica

    Na contramão de países mais desenvolvidos, o Brasil ainda é bastante permissivo com o uso de agrotóxicos. Esses herbicidas e defensores agrícolas, usados em larga escala, são comprovadamente ligados a diversos tipos de câncer, atrofias musculares e até mesmo mutações genéticas.

    Enquanto cresce o discurso pela sustentabilidade e pelo consumo de mais orgânicos, um projeto polêmico, conhecido como PL do Veneno, visa liberar ainda mais o uso de agrotóxicos em solo Brasileiro. Você sabe o que realmente está em jogo?

    A polêmica dos agrotóxicos

    Imagem: O Globo/Divulgação.

    Agrotóxicos, defensivos agrícolas, pesticidas ou praguicidas são produtos químicos sintéticos utilizados na agricultura para o controle de pragas, insetos, doenças e plantas daninhas. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), nós estamos entre os 10 países que mais consomem agrotóxicos no mundo.

    O Brasil ocupa o 7º posto na relação da quantidade de produtos aplicados por hectare de terra cultivada. Em termos de volume total, o Ministério do Meio Ambiente brasileiro informa que estamos em 1º lugar. O dado impressiona e mostra como estamos anos luz atrás de países desenvolvidos, que incentivam a agricultura orgânica e familiar, como é o caso da Dinamarca.

    Embora especialistas aleguem que o seu uso é seguro desde que respeitadas as dosagens permitidas, a empresa Monsanto está enfrentando, nos EUA, o primeiro julgamento por herbicida de glifosato no mundo. Conhecido como Rondup, ele é um dos herbicidas mais vendidos no mundo e, ao que tudo indica, altamente cancerígeno.

    A Monsanto se defende de uma acusação milionária, onde é acusada de ocultar deliberadamente a periculosidade da substância. O uso do glifosato já foi proibido no Brasil, mas recentemente a justiça caçou a liminar que regulava o seu uso.

    A PL do Veneno

    Retrato do fotógrafo Pablo Piovano, em sua série documental que mostra os efeitos do agrotóxico glifosato em habitantes da zona rural na Argentina

    O projeto de Lei 6299/02, elaborada em 2002 por Blairo Maggi (hoje Ministro da Agricultura) ficou conhecido como PL do Veneno entre os críticos e agora tramita no Congresso.

    O projeto propõe , entre outras questões, que o Ministério da Agricultura possa regular diretamente o registro de novos agrotóxicos. No momento, a Anvisa e o Ibama são os responsáveis pela regulamentação. Para compreender melhor os prós e os contras do projeto, clique aqui.  

    Imagem: RoyalVegas

    A moda e os tecidos orgânicos e eco-friendly

    Com a sustentabilidade em alta, a discussão sobre orgânicos sai da mesa e conquista o mundo da moda. Com certeza você já deve ter visto por aí alguma peça com selo de algodão orgânico, um apelo especial que é refletido também no preço. A empresa Ecocert é, atualmente, a maior e mais respeitada certificadora do mundo. Ela é a responsável pelo GOTS – Padrão Global de Têxteis Orgânicos, uma classificação que contempla todos os estágios do processamento: da fibra ao produto acabado.

    O objetivo desse referencial é garantir a rastreabilidade do processo produtivo. Reduzir o uso de químicos, de energia e também o respeito a critérios sociais são levados em conta. Existem dois possíveis selos, de acordo com a Ecocert:

    • Têxtil Orgânico: mínimo de 95% de fibras orgânicas e no máximo 5% de fibras artificiais ou sintéticas;
    • Têxtil contendo fibras orgânicas: mínimo de 70% de fibras orgânicas e máximo de 10% de fibras artificiais ou sintéticas / limite sobe para 25% para calçados e roupas esportivas.
     Marcas como Osklen e Vert Shoes já apostam na fibra de algodão orgânico como um grande diferencial. Imagem: Embrapa No Brasil, temos uma outra iniciativa que vale a pena ficar de olho. É o Algodão Colorido da Paraíba desenvolvido em laboratório pela Empresa Brasileira de Agropecuária – Embrapa. Ele é um algodão que já nasce com em tons marrom e bege, sem uso de aditivos ou corantes. Apesar de não ser um produto orgânico, mostra o grande potencial que temos ao manipular a natureza com tecnologia de ponta. Por ser naturalmente colorida, a fibra dispensa tingimentos e diversos processos nocivos à natureza.

    Comentários

    Faça login na sua conta para comentar e participar da conversa.

    Faça login para comentar

    Carregando…