A segunda metade do século XX veio com a explosão das novas mídias. Entre o jornal impresso, as revistas, a rádio, a televisão e o cinema, surgiu um novo mundo de possibilidades para a divulgação dos vários aspectos da vida humana. A partir desse contexto, conheça um pouco mais sobre a imagem das Revistas Femininas e o papel dos seus editoriais no mundo atual.

A diversificação da mídia
Antes de nada mais, qualquer estudo sobre mídia deve partir da consideração da importância dos seus vários veículos. Ou seja, da sua função de refletir os diálogos da sociedade. De avaliar a sua capacidade de conduzir verdades. De tecer opniões e construir imagens que sensibilizem.
No caso da mídia impressa, com destaque às revistas femininas, é preciso destacar: o seu estudo deve considerar que, junto à mídia televisiva, ela conduz toda a área de informação voltada à mulher.
Televisão X Revista
A televisão é o grande meio de informação da cultura contemporânea. Já a revista atua mais como comentarista. Nesse papel, constrói o imaginário do leitor, criando um diálogo social que é, antes de mais nada, civilizador.
Para tanto, sua eficiência como mídia se deve ao fato de ela ter, na base da recepção, uma relação de consumo que envolve a cumplicidade e liberdade de escolha. Tal relação supõe, para além da informação e do comentário, também sentimentos e afeto.
A revista é uma mídia que agrega uma gama de produtos. Entretanto, o que a define melhor, enquanto produto, é a sua relação com o receptor. Uma relação de segurança, cumplicidade e simpatia. Ou seja, todas elas devem ser como uma amiga íntima e particular.
A revista dorme no mesmo quarto, vai junto ao banheiro, à escola, e viaja junto com a leitora no transporte coletivo. Uma revista se tem, se lê, se coleciona ou se joga fora, mas jamais se empresta.
Paira sobre ela o fetiche de posse, porque, em geral, ela contêm “segredos ou informações não datadas de mim”, que poderão ser úteis um dia.
As Revistas Femininas: uma amiga íntima
Ela é, assim, diferente das demais mídias. Afinal, não compramos, não pagamos, não carregamos e não guardamos o que não nos interessa, o que não carrega um pedaço de nós.
Com ela, pode-se estabelecer uma relação de companheirismo que, muitas vezes, vira objeto de coleção. Nesse sentido, a sua história passa também a ser parte da história de quem a lê.

A revista foi pensada para que ela possa estar junto da leitora, quando esta o desejar – ou quando precisar. Assim, é construída para ser um “objeto de desejo” da leitora.
A crítica teórica considera, e aceita, que ela é sim objeto de desejo. Porém, de desejos obscuros, por ter uma estrutura formal e cultural que atua na construção do ideário e imaginário coletivo. Portanto, é capaz de, através de seus comentários, manipular os modos de ver e de ser de quem a lê.
Essa é a grande questão colocada por Werneck Sodré, quando ele diz que (1966:2):
“A história da imprensa é a própria história do desenvolvimento da sociedade capitalista. O controle dos meios de difusão de idéias e de informações que se verifica ao longo do desenvolvimento da imprensa é reflexo da sociedade capitalista e o traço que comprova esta ligação dialética se constata na influência que a difusão impressa exerce sobre o comportamento das massas e dos indivíduos.”
O imaginário individual e coletivo
Aqui, pensamos numa mídia fundada a partir do imaginário, tanto individual quanto coletivo. A sua análise deve entender a sua imagem como fonte de informação e de diálogo social.
Assim, a revista é, na sociedade capitalista, uma excelente fonte de observação e análise.
Mais do que o conteúdo nela contido, o que ela tem de relevante, como documento da cultura, é o papel de comentarista dos modos de viver no seu diálogo com a sua receptora.

Sua cumplicidade com a leitora acaba por pontuar condições de apropriação, participação ou dissidência das diferentes colocações sobre os diversos modos de viver, que são também modos sociais.
É aqui que se situa o nosso veio de análise: a imagem fotográfica que, nessa mídia, se faz pela construção da imagem e do texto com pesos equivalentes. Ora o texto é ilustrado pela fotografia, ora o texto funciona como mero suporte para a imagem fotográfica. Nessa última, a imagem quase fala por si só, deixando no ar a sensação de que, além de falar para quem a vê, fala também muito de si.
Por exemplo, na revista Capricho as imagens sempre seguem a sua tradição gráfica. Nela, ainda estão presentes as referências aos textos em forma de bolha das fotonovelas, e a semelhança com as agendas das gatinhas dos anos 80 e 90 do século passado.

- Com relação ao tema, relembre a polêmica de janeiro sobre a capa da Vogue com Kamala Harris.
As Revistas Femininas como símbolo da juventude
A revista feminina é um marco significativo da nossa história. Ela registra tanto a evolução da imprensa e do mundo moderno, quanto a história social da mulher, sua infância e juventude.























