
Gabriella Pascolato. Imagem: Moda Spot
Adeus à primeira dama da indústria têxtil brasileira, por Laïs Pearson*
Oficialmente, conheci Dona Gabriella Pascolato em1968, quando fui à Tecelagem Santaconstancia promover os fios da Lurex International, onde trabalhava como coordenadora de moda.
Tanto Dona Gabriella, como seu marido, Comendador Michele Pascolato, foram extremamente gentis e pacientes comigo, explicando-me para que tipos de têxteis meus produtos se adequavam – eu nada entendia dos intricados processos de fabricação de tecidos.
Eu já tivera contato com Dona Gabriella no show room da Santaconstancia, na rua Vieira de Carvalho, que eu visitara com minha mãe. Cliente de Dener Pamplona de Abreu, o costureiro sugerira a minha mãe escolher na Santaconstancia os tecidos para seus próximos modelos. Desde aqueles longínquos dias, Dona Gabriella e eu nos entrosamos muito bem: ela, sempre solícita e eu ávida por absorver suas palavras.

Gabriella Pascolato chegou a São Paulo em 1945. Foto: Veja SP
Durante o tempo que trabalhei na Lurex International, por força de minhas funções, tive que pedirduas vezes a Dona Gabriella grandes metragens de seu famoso shantung Dior. Zuzu Angel pretendia oferecer um manto bordado com águas marinhas à rainha Elizabeth II, durante sua visita ao Brasil. Sem pestanejar, Dona Gabriella me cedeu o tecido. Porém, jamais se teve notícia do tal manto, que se perdeu nas brumas da história da moda!
Noutra oportunidade, um conhecido costureiro carioca, pediu-me para solicitar outros tantos metros do precioso shantung para fazer um suntuoso vestido de baile para um grandioso evento. Mais uma vez, Dona Gabriella atendeu a meu pedido.
E o vestido? Jamais entrou na passarela. O costureiro desculpou-se dizendo que a esposa do então Presidente da República se apossara do tecido. Muito a contra gosto, tive de novo que explicar a Dona Gabriella o destino que, a minha revelia, haviam dado a seu tecido.
Recebi uma bem merecida bronca pela minha ingenuidade: “duas vezes é o bastante”, disse-me. “Não me venha pedir mais nada”. Aprendi a lição: nunca mais pedi nada a ninguém, adotando o mote “se quiser, peça você”.








