
GESTÃO DE NEGÓCIOS | Moda e acessórios
Por André D´Ângelo*
O dia 1º de março de 2010 marca o momento em que o Grupo Iguatemi passa a administrar a Daslu. O acordo foi a solução encontrada pela loja para dar fim aos problemas administrativos e fiscais que vinham acometendo a loja desde 2005.
Independentemente do que acontecer daqui em diante, a história da Daslu, que se confunde com a história do luxo no País, já contém elementos suficientes para que mereça ser contada e analisada.
Se fôssemos usar o jargão dos profissionais de marketing, poderíamos dizer que Eliana Tranchesi, a proprietária da Daslu, era uma empresária com o “dedo no pulso do mercado”, ou seja, sempre soube exatamente o que sua clientela queria e que não encontrava no Brasil: luxo, marcas famosas e logotipos conhecidos. E, ao contrário do que rezam os manuais do bom marketing, Eliana tomava-se como o referencial dos desejos de consumo de uma classe social inteira, visto que quando voltava de viagens ao exterior trazia “tanta mala que precisava ocupar até três táxis na hora de deixar o aeroporto”, conforme disse uma vez à imprensa.
Dois meses depois da posse do ex-presidente Fernando Collor, em 1990, Eliana iniciou um tour pela Europa para convencer as grandes grifes a comercializar seus produtos no Brasil. De porta em porta, tentava provar que, num país assolado por inflação, recessão e pela absoluta falta de dinheiro em circulação, seria possível vender luxo. Peregrinou por grifes como Chanel, Gucci, Valentino e tantas outras procurando atraí-las para o mercado brasileiro. O histórico do Brasil, associado ao momento delicado pelo qual passava, indicava que a proposta da dona da Daslu não era mais do que um convite à aposta. Foi complicado, mas aos poucos a empresária conseguiu rechear sua loja de marcas conhecidas e cobiçadas.
A partir daí, e impulsionada pela estabilidade da moeda em 1994, a Daslu experimentou um crescimento espetacular – no volume de negócios e no nível de exposição e badalação na mídia. A revista Vogue inglesa, por exemplo, concedeu à loja o título de “um dos melhores locais para se fazer compras no mundo”, o que fez do local um ponto turístico em São Paulo.




