Conheça a história da Casa Canadá, a mais importante butique de alta-costura do Rio de Janeiro do período.
No cenário mundial, após duros anos de guerra e crise, a década de 1950 veio com muito mais frescor e glamour. Afinal, foi nesses anos que o mundo da arte, do cinema e da moda vivenciaram um verdadeiro boom.
No panorama brasileiro não foi diferente, e, nestes anos surgiu um dos principais ingredientes para a renovação do mundo moda no Brasil: a Casa Canadá.
Conheça a história da mais importante butique de alta-costura do Rio de Janeiro do período e que se consolidou como ponto alto da alta-costura no país.

A criação da Casa Canadá
Acima de tudo, a Casa Canadá esteve no coração da criação do mercado de moda brasileiro. Inaugurada na década de 1920 pelo empresário Jacob Peliks, ela se tratava a princípio de uma casa de venda de peles e vestidos.
Então a loja já possuía um perfil fora do comum. Localizada na Rua Gonçalves Dias no Rio de Janeiro, na altura a capital nacional, a partir de 1931 a Canadá foi a primeira casa a trazer visons (animal muito usado no mercado de moda de luxo) para o Brasil (Carvalho, 2009).

A Casa Canadá e as irmãs Mena Fiala e Cândida
Ainda que fosse um período de crise, Peliks identificou o potencial de crescimento da butique. Com o passar dos anos, essa ideia virou um projeto.
Nesse ínterim ele conheceu as irmãs Mena Fiala e Cândida Gluzman, que em 1929 haviam aberto uma chapelaria de sucesso na Rua Sete de Setembro no Rio de Janeiro.
Desse modo, identificando o seu material de qualidade e que que as duas já tinham cativado importantes mulheres da alta sociedade carioca, o empresário decidiu convidar Mena e Cândida para assumirem o comando da administração da nova loja, inaugurada em 1935.
Com isso, o seu objetivo era expandir e diversificar a participação da butique no mercado da moda de luxo não apenas carioca como nacional.
- Saiba mais em Quem foi Mena Fiala? A história da promotora dos desfiles de manequins no Brasil.

Assim, em um ambiente de transformação do cenário cultural brasileiro, as irmãs passaram a desempenhar um papel crucial na difusão da alta-costura no país.
As duas, que eram originais de Petrópolis e filhas dos italianos Caetano Selleri e Argea Pagani Selleri, estiveram em contato com a costura, a chapelaria e o bordado desde muito jovens.
Essa aproximação se deu por meio do contato com as modistas de sua cidade natal Marietta Pongetti e as irmãs Falconi, que à época atendiam as senhoras da elite do Rio de Janeiro (SCHUMAHER, 2000).
A experiência seria crucial no seu trajeto pessoal, bem como da Casa Canadá.
- Schumaher, Maria Aparecida. Dicionário mulheres do Brasil: De 1500 até a atualidade – Biográfico e ilustrado. Editora Schwarcz – Companhia das Letras, 2000.
A Casa Canadá e o prêt-à-porter
Dessa maneira, à frente da Casa Canadá, Mena Fiala e Cândida foram as pioneiras de grandes inovações. Por exemplo, a da difusão do prêt-à-porter no Brasil – a roupa de boa qualidade feita industrialmente em série, que levava a assinatura de um estilista da moda.

















