Está mais do que claro que o racismo foi e continua sendo um problema muito sério na nossa sociedade. Nesse sentido, o Cabelo Black Power se mantêm como um dos principais símbolos do movimento negro e da sua luta por respeito no mundo contemporâneo.
No Brasil, o racismo está muito presente, mas de uma maneira em geral dissimulada. Desse modo, ele se faz visível, por exemplo, no deboche e menosprezo quanto às características de pessoas negras, quase sempre justificados como uma brincadeira inocente.
O caso mais recente foi a polêmica no BBB 21 entre os participantes Rodolffo e João Luiz. Ao comparar a peruca de uma fantasia de “homem das cavernas” com o cabelo de João, Rodolffo acendeu um debate que se mostra urgente.
Nesse sentido, para somar à discussão, entenda com mais detalhes como o cabelo Black Power se consolidou como um dos maiores símbolos da identidade e resistência negra no mundo.

Antecedentes: uma história de deboche e menosprezo
Mesmo após o fim oficial da escravidão nos Estados Unidos em 1865, com a publicação da 13ª Emenda à Constituição, imperou uma noção crescente de menosprezo a tudo que fizesse referência aos negros. Desse modo, o senso comum era o de que o cabelo com textura europeia era “bom” e o cabelo com textura africana era “ruim”.
Como resultado, nessa mesma altura começou a se propagar uma visão cada vez mais estereotipada de homens e mulheres negras. Em geral, eles eram representados como feios, malandros, mal vestidos e perigosos.
Portanto, as mulheres negras se sentiam pressionadas a camuflar o seu cabelo, usando perucas e tratamentos químicos para conseguir um cabelo mais liso.
Estereótipos

Na época da escravidão, era comum que os brancos comparassem os negros com corvos (em inglês, crow). Explorando essa “brincadeira”, em 1828, Thomas Dartmouth (T. D.), o “Daddy” Rice , fez uma performance com música e dança na qual se caracterizou como um negro, pintando a sua pele de preto e vestindo-se com trapos.
O Jim Crow ou Jump Jim Crow, como a personagem ficou conhecida, fez um enorme sucesso. A música era uma sátira completa a outra canção típica entre os escravos, propagando uma imagem extremamente pejorativa dos negros.
Nas suas apresentações, Thomas atuava como se fosse um negro estúpido, que andava de maneira torpe e fazia apenas trapalhadas. O Jim Crow fez tanto sucesso que foi seguido por outras performances. Nelas os brancos também faziam o blackface , fortalecendo a visão estereotipada sobre os negros.
Por muito tempo essa imagem marcou a visão de que os negros eram inferiores e limitados quando comparados aos brancos, servindo bem ao propósito da segregação social institucionalizada que se seguiu.
Nesse sentido, como resultado da força que tinha à epoca, as leis que passaram a regulamentar a segregação racial nos EUA foram coloquialmente chamadas de Leis de Jim Crow.
- Em seguida, entenda como reconhecer estereótipos racistas internacionais.
- Fremon, David (2000). The Jim Crow Laws and Racism in American History. Enslow.













