Coco Chanel é, de fato, um eterno ícone da moda. Isso porque a estilista faz parte do seleto grupo de mulheres que fizeram história mudando a forma de ser mulher na sociedade europeia do século XX.
No domingo, dia 10 de janeiro de 2021, celebraremos os 50 anos de sua morte. Afinal, ainda que haja passado meio século desde o seu falecimento, o nome de Chanel permanece como sinônimo de elegância e bom gosto.
Chanel deu liberdade às mulheres. Até então, o look feminino era composto por seis partes antes da roupa principal. Além disso, dentre outras coisas, a estilista também foi uma das maiores incentivadoras da liberdade feminina da sua época.
Para Denise Pitta, editora do Fashion Bubbles, podemos dizer, inclusive, que Coco Chanel criou as bases da roupa de trabalho atual usadas pelas mulheres, mesmo agora, na contemporaneidade.
Logo, em um mundo até então dominado por costureiros homens, ela foi uma das responsáveis por revolucionar o jeito de ser, pensar e vestir da mulher.

“Eu não faço a moda, eu sou a moda”. Coco Chanel.

Quem foi Coco Chanel (1883 – 1971)?
“Elegância é tudo aquilo que é belo, seja no direito seja no avesso.”
“A natureza lhe dá o rosto que você tem aos 20. A vida lhe desenha o rosto aos 30. Mas, aos 50, é você quem decide o rosto que quer ter.”

Gabrielle Bonheur Chanel, seu nome de registro, nasceu em Saumur, interior da França, em 1883. Ainda que se tenha tornado um mulher incrível, a sua infância esteve longe de ser tranquila (Chaney, Lisa, 2011).
A mãe de Chanel, uma lavadeira chamada Eugénie Jeanne Devolle, morreu de tuberculose quando ela tinha apenas 12 anos. A relação entre os seus pais tampouco foi um mar de rosas, inclusive porque os dois só se casaram após ela já haver nascido (para a época, um escândalo!).

Logo que se tornou órfã de mãe, ela também acabou por ser abandonada pelo seu pai. Ainda aos 12 anos, Gabrielle foi deixada em internato católico para moças junto com a sua irmã, em Aubazines. Chanel tinha ao todo cinco irmãos, sendo que os meninos ficaram com o pai para ajudá-lo com o trabalho.
“Não importa o lugar de onde você vem. O que importa é o que você é. E quem você é? Você sabe?”
“A força se consegue com fracassos e não com sucessos.” Coco Chanel.
Origem do nome Coco Chanel, o apelido que veio da música
Do berço bastardo de pais não casados e da infância no orfanato Coco Chanel queria distância. As histórias inventadas nem sempre batiam, mas calavam os abelhudos, segundo artigo do site da Haco.
Mentiras sobre a morte da sua mãe, sua idade, e a ausência do seu pai pai serviam para maquiar a realidade que a afetava (Picardie, 2011).
O vínculo que se tornaria eterno com o mundo da moda teve início aos 18 anos. Transferida para um pensionato, começou a trabalhar em um armarinho na cidade de Moulins, região central da França. Começava então uma nova jornada, que mudaria completamente o rumo da sua vida.
Mas era da noite que viria o apelido que transformou Gabrielle definitivamente em Coco. No café La Rotonde, a jovem bonita de longos cabelos negros cantava as duas únicas músicas que conhecida bem.
Dos refrões quase idênticos de Qui qu’a vu Coco (Quem foi que viu Coco) e Ko-ko-ki-ko surgiu o apelido, dado pelos rapazes do 10º Regimento de Cavalaria. Assíduos frequentadores do café, foi um deles, Etienne Balsan, seu primeiro amor.
Primeiro, mas não o único – e todos se tornariam grandes amigos com o decorrer da vida, ajudando-a a formar seus negócios.
“Um homem pode ser o que ele quiser, mas ele permanecerá sendo apenas o acessório da mulher.”
A mudança na vida de Coco Chanel
Na pensão em Moulins, Chanel desenvolveu a sua habilidade como costureira. Tendo lá reencontrado uma tia sua, as duas se juntaram a fim de mudar a sua vida de pobreza. Desse modo, e explorando o seu talento, em 1903 elas foram trabalhar num ateliê que produzia enxovais, chamado Maison Grampayre.
Já com uma condição financeira melhor, elas decidiram deixar o pensionato e dividir um quarto alugado em Moulins. Com outros interesses, Chanel começou a se apresentar como cantora em um café local em torno de 1907. Nesse ambiente, esteve em contato com muitos oficiais do exército e homens da alta sociedade.
Dentre eles, estava Etienne Balsan (1880-1953), herdeiro de uma fábrica de tecidos que fazia uniformes militares e como narrado acima, foi seu primeiro amor.
“Não é o aparecimento, é a essência. Não é o dinheiro, é a educação. Não é a roupa, é a classe.”

“Algumas pessoas pensam que o luxo é o oposto da pobreza. Não é. É o oposto da vulgaridade.”
Sem ‘fruteiras na cabeça’
A essas alturas Chanel já tinha ideias bastante diferentes sobre a moda da época e que influenciariam toda a Europa antes mesmo da Primeira Guerra Mundial.
Em vez de “fruteiras na cabeça”, como dizia, Coco Chanel preferia acompanhar o amante ao hipódromo com um chapeuzinho de palha preso com um alfinete.
Com verdadeiro horror aos babados que eram moda absoluta na época, Coco Chanel começou também a adaptar os trajes masculinos de Etienne. Paletós e gravatas eram constantemente agregados a vestidos mais básicos.
Logo seu estilo chamou a atenção de artistas, escritoras e desportistas, as mulheres mal faladas de seu meio na hipócrita e rígida sociedade moralista de então.
Entretanto, o relacionamento com pessoas influentes lhe permitiram frequentar um ambiente muito privilegiado, no qual, por volta de 1909, conheceu o milionário britânico Arthur “Boy” Capel, considerado o grande amor da sua vida.
Chegou até a deixar um bilhete para Etienne, mas a verdade é que manteve com ambos um triângulo amoroso que durou dois anos.
“Elegância é quando o interior é tão bonito quanto o exterior.”
O início da carreira e os chapéus de Coco Chanel
Foi em Paris, onde, no estúdio emprestado de Etienne e com o dinheiro de Boy, abriria em 1909 seu primeiro negócio: uma chapelaria.




































