Não há como negar que a estreia da LAB no SPFW em 2016 trouxe energia nova ao evento: a marca do rapper Emicida e seu irmão, Evandro Fióti, chegou nas passarelas causando furor ao apostar em roupas autênticas, com representatividade na moda. Até hoje, é um dos desfiles mais esperados da semana de moda paulistana.
A LAB é um braço do coletivo de arte urbana e hip hop Laboratório Fantasma que, na semana passada, entrou novamente em pauta durante a entrevista de Emicida ao programa Roda Viva da TV Cultura. A polêmica sobre o valor das peças, especialmente dos moletons, ficou entre os assuntos mais comentados das redes sociais nos últimos dias.
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Afinal, quanto vale um moletom? “Conheço a cadeia produtiva com a qual trabalho e sei quanto ganha uma costureira, por exemplo. Não vou vender uma camiseta a R$ 9,90 para colocar uma mulher ganhando salário de miséria”, rebateu Emicida.
Racismo na moda
Dessa forma, ao ser questionado sobre o valor das peças pela apresentadora Vera Magalhães, Emicida chamou atenção para o preconceito intrínseco na moda. E, especialmente, nas críticas que constantemente recebe. “Você está dizendo que uma pessoa preta e pobre, para ser verdadeira, tem que vender coisas ruins e baratas. E não, muito pelo contrário”, rebateu.

SPFW – N42
Outubro / 2016
foto: Marcelo Soubhia/ FOTOSITE
“Eu vou de terno numa festa de gala e os caras saem espalhando que o Emicida está usando um terno de R$ 15 mil. Aí todo mundo acha que isso é uma grande contradição, porque eu estou usando uma roupa chique, num evento chique. E ninguém nem consegue perceber o quão racista é dizer algo como isso”, completou o rapper, citando exemplo de quando recebeu o prêmio Men of The Year da GQ.
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Costureiras na primeira fila
Então, Emicida explicou que são as pessoas que lideram a cadeira de produção da moda que devem ser questionadas sobre os preços das roupas. Ele ressaltou ainda que esse sistema tem falhas graves, sendo irresponsável na medida em que chega a manter trabalhadores até em regime de escravidão.




