Desde a adolescência uso óculos por causa da miopia e confesso que minha relação com essa prótese ótica sempre foi muito complicada.
Em uma época de sérios questionamentos sobre quem é você no mundo, inseguranças com o corpo, primeiras paixões e um estilo pessoal a ser definido, nada mais desagradável do que ter que usar óculos, permanentemente, a partir dos 14 anos!

Na década de 80 já existiam lentes de contato maleáveis que vieram socorrer-me. Mas não era possível usar as lentes o tempo todo. Então, recorria aos óculos com profundo desgosto. Um dos motivos é que naquele tempo não havia armações com designs modernos e diferenciados como hoje em dia.

Havia acetato preto, tartaruga, transparente ou em metal. E além do mais eram sem graça, davam um ar mais envelhecido e careta. Sem falar na associação inevitável com os “nerds” do colégio ou ser menos paquerada. Ai que tristeza!
Portanto, eu detestava usar óculos. Escolhia sempre armações que pudessem desaparecer no meu rosto. Queria que ficassem invisíveis. Mas, aos pouquinhos meu amadurecimento permitiu que eu os assumisse com mais tranquilidade. Mesmo assim, ainda não deixava de usar as lentes de contato.
Enquanto isso, no Brasil, começaram a aparecer armações coloridas ou diferentes, mas somente as celebridades da época, jornalistas, atores, cantores ousavam mais nessas escolhas. Ou a moçada adepta do movimento New Wave que vestia roupas em cores neon abusando dos grafismos quadrados em branco e preto.
Eu usava cabelos bem curtinhos, cheios de gel, roupas coloridas mas não me aventurava nos óculos mais extravagantes. Claro que os clássicos Rayban ou redondinhos, à la John Lennon, ainda eram muito frequentes, mas nem esses eu curtia. Já havia também alguns óculos usados pelos surfistas que tinham uma pegada mais jovem com lentes espelhadas.

Quando tudo mudou
Minha relação com os óculos começou a mudar a partir dos anos 2000 quando uma afilhada começou a namorar um rapaz cuja família tinha uma ótica e eram importadores de óculos.
Com ele fui conhecendo marcas desconhecidas no Brasil e que estavam começando no mercado brasileiro. Contudo eu ainda era tímida para escolher armações mais chamativas e demorava anos para trocar de modelo uma vez que, continuava usando minhas lentes cotidianamente.
Até que comecei a ter problemas com minhas lentes.
Elas acumulavam muitas proteínas nos meus olhos e ficavam embaçadas. Resultado: em 2010, quando fui madrinha de casamento dessa afilhada que casou com o rapaz dos óculos (rsrsrs) , usei lentes pela última vez na vida.
Então, ao assumir os óculos, com frequência eu precisava de armações diferentes. Em 2013 em uma viagem à Itália, comprei uma armação em formato Cat Eye (gatinho) com uma cor bem diferente. Fiquei horas na ótica decidindo se usaria aquele modelo no Brasil, se não estava demais etc.. Indecisão que, graças a Deus, nunca mais tive na vida.

















