Se a moda dá um grande destaque ao uso da seda, vamos falar um pouco sobre o que afinal é a seda. Esse é atualmente um dos tecidos mais imitados no mundo, seja por meio de fibras sintéticas, como a poliamida e o poliéster, como por fibras artificiais como a viscose.
Entretanto, ainda que se tente imitá-la, essas alternativas jamais terão o mesmo glamour que a seda.

O setor da moda viveu um grande boom a partir de meados do século passado. Com ele, veio não só o aumento do número de profissionais, espaços e empresas dedicadas à produção de roupa, como também o lançamento de novos e inovadores materiais.
Por outro lado, em um contexto no qual existe uma imensa variedade de tecidos artificiais, vivemos o fênomeo inverso: a redescoberta e valorização das fibras naturais e da produção sustentável. Contudo, entre produtos como o algodão e o linho, aquele que segue sendo sinônimo de luxo é sem sombra de dúvida a seda.
Conheça com mais detalhes qual o processo de obteção e as peculiaridades desse tecido, um dos produtos mais desejados e buscados da história da humanidade.
A descoberta da Seda
Antes de mais nada, a seda carrega um ar de nobreza.
Há até mesmo um certo folclore em torno da sua história. O pensador e filósofo chinês Confúcio (551-479 a.C.) teria ajudado a divulgar a ideia de que o material foi descoberto pela imperatriz chinesa Hsi-Ling-Shi (ou Leizu) no século XXVII a.C.

A lenda se popularizou. Ela conta que a esposa do Imperador Amarelo se deparou com um casulo do bicho-da-seda dentro da sua xícara de chá ao tomá-lo debaixo de uma amoreira.
Assim, ao puxar a ponta de fio do casulo após ele ter sido amolecido pela água quente do chá, ela fez com que o fino fio de seda se desenrolasse, espalhando-se pelo jardim.
- Depois, veja também O Algodão: história e características da fibra natural mais usada na moda.
O primeiro experimento
A imperatriz então se deu conta de que a origem desse fio fantástico era o tal casulo. Como experimento, ela recolheu outros casulos e fez novamente o mesmo processo: emergir-los no chá quente.
Tendo-se amolecido e soltado novamente os fios de seda, Hsi-Ling-Shi os enrolou em seu próprio dedo, fazendo com que se mantivessem nessa nova forma.

Encantada, ela teria pedido ao marido um bosque inteiro de amoreiras. O objetivo era criar as larvas que produziam o casulo em maior quantidade.
Com a finalidade de tratar o material assim como havia feito em seu dedo, ela também teria sido a responsável por inventar a bobina de seda. Com a ferramenta, os finos filamentos então se uniam em um único fio, que era resistente o suficiente para ser usado na tecelagem.
Como resultado, a imperatriz teria assim produzido um fino manto de seda para o imperador.
- PAPAVERO, Nelson e PUJOL-LUZ, José Roberto. Notas sobre o bicho-da-seda no folclore Chinês. Rev. Bras. entomol. 2011, vol.55, n.1, pp. 141-142.
Entre lenda e realidade
Não se sabe até que ponto essa história é verdadeira ou pura fantasia. Seja como for, os historiadores estão de acordo de que a China foi a primeira civilização a utilizar a seda.
Se foi a imperatriz ou não quem a descobriu, o fato é que a técnica de obtenção do produto e o seu uso se difundiu pelo território chinês. Desde então, ela permaneceu por séculos como um dos seus principais tesouros.
Afinal, os chineses tiveram a exclusividade de produção da seda por milênios.
Posteriormente, vendo o seu potencial entre os europeus e outros estrangeiros, o governo chinês teria determinado medidas para prevenir tanto a saída de ovos do bicho-da-seda da China, como do conhecimento sobre a sua produção.






















