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    Moda—

    2º dia do DFB Festival 2026 leva desfiles para as ruas de Fortaleza e celebra a criatividade nordestina

    Modelo no desfile de Lire Brand, durante o 2º dia do DFB Festival 2026

    A Praia de Iracema se transformou em uma grande passarela a céu aberto nesta quarta-feira (10), durante o 2º dia do DFB Festival 2026. Integrado às celebrações dos 300 anos de Fortaleza, o evento expandiu seus limites para além dos espaços tradicionais, ocupando a Rua dos Tabajaras e aproximando a moda do cotidiano da cidade. O resultado foi uma experiência que uniu cultura, identidade e criatividade em um dos cenários mais emblemáticos da capital cearense.

    Apresentado pela Enel Brasil e pela Prefeitura de Fortaleza, com apoio institucional do Governo do Estado do Ceará, o Dragão Fashion Brasil reafirmou seu papel como a principal plataforma de moda autoral da América Latina. Entre estreias, coleções carregadas de significado e iniciativas voltadas à formação de novos talentos, a programação do dia destacou a riqueza das técnicas artesanais, a valorização dos saberes ancestrais e, acima de tudo, a potência criativa do Nordeste. Continue lendo a fim de conferir os destaques!

    Ethos

    Modelo no desfile da Ethos, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Calebe Nogueira e Paula Matos/Ducker Studios

    Em sua estreia no DFB Festival, a estilista e designer autodidata Beatriz Castro apresentou uma coleção da Ethos inspirada na integração entre ser humano e natureza. A flora e a fauna surgiram como protagonistas em peças confeccionadas em linho e enriquecidas por técnicas artesanais que fazem parte da identidade da marca, como bordado, crochê, labirinto e shibori.

    Além disso, outro elemento central da coleção foi a figura da bruxa como arquétipo feminino. Longe dos estereótipos, a inspiração celebrou mulheres detentoras de saberes ancestrais, guardiãs das florestas e símbolos de força e conexão com a terra.

    Silvania de Deus

    Modelo no desfile da Silvania de Deus, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Calebe Nogueira e Paula Matos/Ducker Studios

    A estilista levou à passarela a coleção “ODYSSEIA”, uma jornada afetiva por sua trajetória de mais de 30 anos na moda. O desfile reuniu memória, resistência e identidade por meio de peças confeccionadas com tecidos como linho, algodão, gazes, sedas italianas e viscose, além de materiais garimpados ao longo de sua carreira.

    As criações ganharam ainda mais riqueza através de técnicas manuais como richilieu, crochê e bordados cearenses, evidenciando o valor do trabalho artesanal e a construção de uma moda que dialoga com passado, presente e futuro.

    Concurso dos Novos

    Modelos no Concurso dos Novos, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Paula Matos/Ducker Studios

    O segundo dia do tradicional Concurso dos Novos trouxe uma novidade importante para os estudantes participantes: um dos integrantes da equipe vencedora receberá uma bolsa de estudos de 40 horas em Milão, resultado de uma parceria com o IED Rio.

    Na passarela, os grupos apresentaram coleções-cápsula repletas de experimentação criativa. A UFPE apostou em bordados, miçangas e detalhes em crochê. Já a UNIFOR explorou drapeados, rendas, babados e assimetrias. A UNIPÊ trouxe combinações de couro, cordas e volumes marcantes, enquanto a UTFPR investiu em recortes estratégicos, aplicações de pérolas e detalhes em ponto-cruz.

    George Azevedo

    Modelo no desfile de George Azevedo, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Paula Matos/Ducker Studios

    Reconhecido por sua linguagem visual profundamente conectada ao Nordeste, George Azevedo apresentou a coleção “Vento Forte”, inspirada nas paisagens do Rio Grande do Norte e na presença constante dos ventos que moldam o litoral potiguar.

    Estampas de alto contraste, peças pintadas à mão, aplicações manuais e muito brilho construíram uma narrativa visual intensa. Mais uma vez, o estilista demonstrou sua habilidade de transformar roupas em histórias, reforçando então o caráter artístico de sua produção.

    Mãos da Moda

    Projeto da Nordestesse em parceria com o Riachuelo Lab, o Mãos da Moda fez seu lançamento oficial durante o DFB Festival 2026, reunindo três criadores que dialogam diretamente com comunidades artesãs e técnicas tradicionais.

    Adriana Meira abriu a sequência com “Rio que Conta”, coleção inspirada em Rio das Contas, na Bahia. Em vez dos tradicionais patchworks religiosos que marcam seu trabalho, a designer apresentou flores-diamante e delicados pontilhados de crivo-rústico, destacando a produção das artesãs da região.

    Modelo no desfile de Mãos da Moda, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Paula Matos/Ducker Studios

    Em seguida, Luci Bortowski apresentou “Memórias para o Futuro”, explorando a relação entre as rendeiras e o mar. Redes de pesca, peixes produzidos em bilro e rendas tingidas manualmente deram vida a peças que evocavam a passagem do tempo e a força da cultura litorânea.

    Modelo no desfile de Mãos da Moda, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Paula Matos/Ducker Studios

    Por fim, Dua apresentou “Benditas”, homenagem à histórica Irmandade da Boa Morte. A coleção combinou maxi bijoux escultóricos com bordados em crivo-rústico e ponto-cheio produzidos por artesãs da Chitarte, resultando em um desfile marcado pela força simbólica e pela experimentação estética.

    Modelo no desfile de Mãos da Moda, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Paula Matos/Ducker Studios

    Lire Brand

    Modelo no desfile de Lire Brand, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Paula Matos/Ducker Studios

    A Lire Brand, marca brasileira de Moda Wellness criada por Renata Saldanha e Lissa Moura, fez sua estreia no 2º dia do DFB Festival 2026 com uma coleção inspirada em um dos maiores patrimônios culturais do Ceará: o Teatro José de Alencar.

    O universo das bailarinas serviu como ponto de partida para peças delicadas e sofisticadas, com destaque para o uso de tule, brilhos e pinturas em grafite. Como resultado, tivemos uma apresentação que equilibrou leveza, movimento e expressão artística.

    J. Cabral

    Modelo no desfile de J. Cabral, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Paula Matos/Ducker Studios

    Com a coleção “Anônimos”, J. Cabral transformou a passarela em um espaço de questionamento e afirmação identitária. Afinal, o desfile nasceu como um manifesto sobre liberdade, pertencimento e expressão individual.

    As criações combinaram técnicas de upcycling, alfaiataria contemporânea e elementos utilitários. Calças maximalistas contrastavam com partes superiores minimalistas e até peitos nus, enquanto frases estampadas reforçavam o discurso provocador da coleção.

    Gabriela Fiuza

    Modelo no desfile de Gabriela Fiuza, durante o 2º dia do DFB Festival 2026
    Foto: Paula Matos/Ducker Studios

    Encerrando a programação, Gabriela Fiuza apresentou “Horizonte de Iracema”, uma coleção inspirada na relação afetiva entre a estilista e Fortaleza. O trabalho abordou temas como memória, pertencimento e continuidade, refletindo sobre a conexão entre as pessoas e as paisagens que marcam suas histórias.

    Tecidos fluidos, modelagens balonê, detalhes em crochê e uma cartela de cores dominada por tons de azul e areia criaram uma atmosfera que remetia diretamente ao litoral cearense. Em sintonia com o cenário da Praia de Iracema, a coleção celebrou a cidade como espaço de inspiração, identidade e permanência.

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