O mercado de apostas esportivas no Brasil, popularmente conhecido como “bets”, está no centro de uma nova disputa fiscal. Em 2025, o governo federal avalia aplicar impostos retroativos sobre receitas geradas por operadoras que atuaram no país antes da regulamentação oficial do setor. A medida, se confirmada, pode render aproximadamente R$ 12,6 bilhões, o equivalente a US$ 2,3 bilhões em cassino com bonus sem depósito, reforçando a arrecadação em um momento de forte pressão fiscal.
A discussão, no entanto, não é apenas sobre números. Ao mesmo tempo em que o potencial de arrecadação é atrativo, especialistas alertam para riscos relacionados à segurança jurídica, ao equilíbrio competitivo e até à própria sustentabilidade do mercado legalizado de apostas no Brasil.
O avanço da regulamentação e o cenário prévio
O ponto de partida desta discussão remonta à aprovação da Lei nº 14.790/2023, sancionada no final de 2023 e implementada a partir de janeiro de 2024. A nova legislação estabeleceu um marco regulatório para as apostas esportivas no Brasil, criando regras claras de operação, obrigações de transparência e um regime de taxação de 12% sobre a Receita Bruta de Jogo (GGR).
A formalização foi um divisor de águas. Apenas nos primeiros cinco meses de 2025, a Receita Federal já havia recolhido cerca de R$ 3 bilhões. Um salto de mais de 40 mil por cento em relação ao período anterior, quando a ausência de regulação praticamente inviabilizava a cobrança de tributos.
Esse crescimento expressivo evidenciou o potencial do setor, mas também expôs uma lacuna: durante anos, as empresas operaram sem arcabouço legal, movimentando valores bilionários sem contrapartida tributária. É justamente esse “passivo” que o governo quer agora transformar em receita.
A ideia dos impostos retroativos
Segundo projeções da Secretaria da Receita Federal, a cobrança retroativa poderá atingir cerca de 135 operadoras de apostas que atuaram no Brasil desde 2019. O raciocínio do Fisco é simples: mesmo sem regulação específica, essas empresas geraram receita no país e, portanto, deveriam ter recolhido tributos como Imposto de Renda, PIS e Cofins.


