Coisas novas acontecem em nossa vida e, às vezes, sentimos medo. Onde essas novas águas nos levarão? Aparecem dúvidas como: que tipo de sacrifício será exigido de nós? E isso traz novas perguntas… Mas, o que é, É. Não deixa de ser facilmente. Basta ver o trabalho que dá mudar aquilo que mais odiamos em nós – você odeia, mas não muda – quantos anos de terapia e quanta energia é necessária para uma mudança, pequena que seja…
Só no mundo da imagética ou da imaginação pura, sem o lastro da realidade, é que as coisas deixam de ser, num estalar de dedos. Como na moda/status, em que o moust-have do momento, em três segundos fica down e dele devemos fugir como o diabo da cruz, queimar se possível, porque ninguém mais pode nos ver usando aquilo. Vai que duvidem do nosso “valioso” sangue azul…

Este não é o caso. Sempre fugi de tudo aquilo que não tem profundidade… Assim como fujo da vaidade, sempre tive medo da vaidade… É comum o ego tomar conta de tudo nos isolando da alma, isolando nossa parte divina e nos fazendo esquecer de nossos verdadeiros propósitos, nos trancafiando no inferno do desejo, aquele que nunca será saciado e que a cada momento nos exigirá mais e mais… Um mundo insaciável de mais perfeição, mais sacrifício, mais dinheiro e a cada “mais”, uma separação enorme daquilo que faz sentido, daquilo que realmente tem valor…
No cotidiano ando descabelada e brigo com o mundo da estética. Leio um monte de livros complexos, talvez para fugir da minha própria futilidade. E fujo tanto da vaidade, porque ela parece esconder um dos terríveis monstros que me assola, e enquanto não enfrentá-la, não estarei livre para encontrar de fato meu caminho e meu lugar. Ainda não sei do que se trata este caminho e lugar, mas acredito na construção de um legado ou em uma intervenção mais sólida, como gosta de dizer meu analista, Marcos De Santis.
Sobre as coisas novas que acontecem em nossa vida, a convite da querida Patrícia Magalhães, fiz meu primeiro ensaio fotográfico. Mal sabia ela do meu embate e dos demônios que eu teria que enfrentar.

Ela, em seu belíssimo trabalho, leva glamour para mulheres maduras em fotos que de algum modo, revelam a alma. Conferi o portfólio, fotos lindíssimas, mas mesmo assim fiquei na dúvida, senti medo, e, como não podia deixar de ser, vieram junto assombrosas perguntas: E se ficarem feias? E se ficar vulgar? E, o que é pior de tudo, se eu perder os meus neurônios?
Mas Denise… Pensei comigo. Não é você que vive dizendo que o que de fato é, É? E deixar de ser não é tão simples assim? Então pronto! Se você se tornar fútil, é porque de fato, a inteligência e o trabalho intelectual não te pertenciam… Estava apenas atendendo a expectativa alheia…
Talvez nos anseios mais íntimos o que eu queria mesmo era ter o direito de gostar de moda, de ser bela e sensual, sem que isso trouxesse tanta culpa. É bom acrescentar que venho de uma família Católica Apostólica Romana, onde a mulher e sua feminilidade demonizada deveriam ser suprimidas, afinal, foram elas os responsáveis pelo pecado original…
Minha nova dúvida é que este desejo de trabalhar com moda, até aqui, talvez tenha ficado apenas de forma teórica, na leitura de livros, na pesquisa da história, afinal, cultura não parece ser tão pecaminosa assim. Esta dúvida se torna uma revelação e me explica porque, de fato, nunca pude usufruir da moda em que trabalho, sempre falando mal da imagem e das pessoas consumistas… E não é que só agora me lembrei de que, geralmente, “quem desdenha quer comprar”…
Chegou a hora de enfrentar os meus demônios e me confrontar com a vaidade. Com carinho, compartilho com vocês, meu primeiro ensaio fotográfico.























