A edição de 30 anos da São Paulo Fashion Week, batizada de Imaginários, acontece de 13 a 18 de outubro no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera. Serão 38 marcas e criadores, com as voltas de Ronaldo Fraga, Flávia Aranha e Amir Slama e a estreia de Uó por Marcelo Sommer. Mas antes do primeiro look cruzar a passarela, o cenário já diz muito: um edifício dos anos 1950 assinado por Oscar Niemeyer, tombado, de 11 mil m², cercado pelo paisagismo de Burle Marx.
É o mesmo pavilhão que, entre março e abril, recebeu a primeira Bienal de Arquitetura Brasileira. Em poucos meses, o prédio hospedou arquitetos discutindo o futuro da casa e, agora, estilistas apresentando as coleções de 2027. A fronteira entre as duas conversas está cada vez mais fina.
Moda e arquitetura sempre se vestiram juntas

Quem acompanha desfiles sabe: o espaço é parte do look. A escolha do Pavilhão das Culturas Brasileiras como casa da SPFW não é logística, é discurso. Concreto, pé-direito alto e vãos livres funcionam como uma alfaiataria para a cidade — estrutura limpa que deixa o conteúdo aparecer.
E o movimento acontece nos dois sentidos. Coco Chanel dizia que a moda é arquitetura: uma questão de proporções. As passarelas de 2026 estão cheias de silhuetas construídas, materiais honestos e cores que vêm da terra — o mesmo vocabulário que você encontra nas revistas de decoração deste ano. Não por acaso, a marca que encerra a semana de moda no domingo se chama Apartamento 03.
O look que você veste e o espaço em que você acorda contam a mesma história sobre quem você é.


