Pensando o futuro
“ Viajar, no grupo dos mais jovens, faz parte da educação;
no dos mais velhos faz parte da experiência.
Ele que viajou para um país antes de ter um contato com a língua,
foi para a escola e não viajou.” ( Francis Acon)
Segundo Dicionário Aurélio, viagem é a ação de ir de um a outro lugar, em geral distante; percurso extenso; ou ainda uma gíria que significa alucinação causada por drogas.
O termo viajar também é utilizado em relação a idéias que não foram compreendidas ou que parecem não fazer sentido, porque são estrangeiras em nosso universo cultural.
Há também, o significado de viajar com a imaginação: “mas que viagens serão mais fascinantes e desafiadoras que aquelas que nos permitem transitar por diferentes tempos, em um mesmo momento, sem sair do lugar?” (Turismo; espaço e tempo)
Diante destes conceitos me pergunto: o que é viajar? E as repostas estão sempre atreladas à fuga, a busca, ao desejo de mudança. Para Douglas Foster, os motivos básicos, primitivos da Humanidade são o medo, o desejo, o amor e a cobiça, mas existe também a necessidade de estímulo através da mudança, excitação e novidade, realizando algo diferente. As viagens e o turismo podem fornecer esse estímulo fisicamente enquanto as viagens psíquicas estimulam os sentidos. Em resumo os dois tipos de viagens ajudam as pessoas a libertar-se das vidas normais e ampliar sua percepção do mundo e da vida.

Imagem via Tech 42 e Arte Viva Espírita
Mas o que é vida normal ? Vivemos num mundo onde tudo é permitido, num mundo em que para Jean Baudrillard é o mundo da pós-orgia: “A orgia é o momento explosivo da modernidade, o da libertação em todos os sentidos. Liberação política, liberação sexual, liberação das forças produtivas, liberação das forças destrutivas, liberação da mulher, da criança, do homem, das pulsações inconsciente, liberação da arte. Assunção de todos os modelos de representação e de todos os modelos de anti-representação.
Total orgia de real, de racional, de sexual, de crítica e de anticrítica, de crescimento e de crise de crescimento. Percorremos todos os caminhos da produção e da superprodução virtual de objetos, de signos, de mensagens, de ideologias, de prazeres. Hoje, tudo está liberado, o jogo já está feito e encontramo-nos coletivamente diante da pergunta crucial: o que fazer após a orgia?”. Será hora de organizar outra ordem, propor outro paradigma?
Perdemos nossos limites, em relação ao modelo antropocentrista moderno, não temos mais céu nem inferno, portanto estamos perdendo nossos tabus. O certo se confunde com o errado e a busca da verdade se tornou extremamente complicada, pois a ciência é instável e está à mercê de suas mais novas descobertas, seus valores são móveis e nos falta terreno sólido para nos agarrar. É como se o mundo, de repente estivesse louco!








