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Quando vemos aqueles inúmeros vídeos caseiros que mostram crianças dominando touch screens e baixando aplicativos de forma rápida e espontânea, nos perguntamos: O que será que vem depois?
Hoje em dia, milhões de crianças já participam das redes sociais, postam conteúdo sistematicamente , dominam a tecnologia da informação e dialogam com marcas – pesquisando, avaliando e decidindo a compra. A convergência para o centro da cultura jovem se dá cada vez mais cedo. A idade subjetiva e projetiva de adultos maduros e crianças parecem, muitas vezes, ser muito próximas. Todos querem permanecer no estágio do forever young.
Contudo, o fato aqui é: consumindo moda, informação e tecnologia, os millennials já exercem sua independência. Não podem trabalhar, mas já dispõem de renda própria, pois a antiga mesada que o adolescente ganhava dos pais foi substituída por cartões de crédito pré-pagos. Eles funcionam como aqueles vales presentes dados pelas lojas, só que agora eles podem ser utilizados pelas próprias crianças, em estabelecimentos e lojas online. Os pais recarregam os cartões e podem controlar os gastos, diminuindo o limite ou permitindo gastos maiores. Kids go shopping!
Visa e Mastercard já trabalham com esses cartões. O Upside Visa Prepaid Card é um bom exemplo. O cartão é desenhado para o segmento júnior e dá dicas de como usar com bom senso e responsabilidade no varejo online. Depois do pré-pago, podem ter certeza, virão os pós-pagos. A pergunta que se faz agora é: qual o melhor momento de equipar as crianças com autonomia para suas compras?
Benjamin Barber, no seu livro ainda não traduzido para o português “Consumed – How markets corrupt children, infantilize adults and swallow citizens whole” faz uma crítica da criação de uma puericultura da mesma forma que nas décadas de 50 e 60 se criou uma cultura jovem. Os kidults ou twixters seriam a versão atualizada de uma estratégia de marketing que visa a produzir mais do que simples produtos e marcas para o público infantil de tweens e kids, mas instilar precocemente demandas/desejos nos seus corações e mentes, impulsionando uma febre de consumismo em crianças com idade cada vez menor. Esse fenômeno já é global e encontra inúmeros exemplos.



