No meu consultório, quando a queixa é sobre relacionamentos amorosos, frequentemente ouço das mulheres frases do tipo: “Só arrumo tranqueira” ou “Não quero mais traste na minha vida”. Quando se referem aos homens esses são os adjetivos dados a eles. E o mais interessante é que o próximo parceiro vai, inevitavelmente, se tornar uma “tranqueira” ou “um traste”, pois este mecanismo já virou um círculo vicioso.
Desde pequena o que mais ouvimos da mãe, da avó, ou de uma mulher mais velha é que os homens não prestam, que eles são canalhas, galinhas, traidores… e por aí vai. Isto é uma mensagem que acaba sendo inserida na psique e vira uma verdade que nos acompanha por toda a vida. Portanto, um homem, por mais correto que seja, ao menor deslize, vem a confirmação de que ele é tudo aquilo de ruim que nos disseram. E eles não conseguem limpar esta imagem porque já ficaram estigmatizados.
Uma das soluções para este problema é mudarmos este código. De que forma? Mudando o modo como o vemos e o que pensamos a respeito deles.
O homem, assim como a mulher, se nutre dos mesmos sentimentos. O que acontece é que eles reagem às situações de maneira diferente de nós. Eles sentem dor, angústia, alegria, tristeza, frustração…, porém não podem se permitir expressar tudo isso porque se tornariam fracos ou poderiam ser considerados como tal, já que em nossa sociedade ter sentimentos – e exteriorizá-los – no caso do homem, é sinal de fraqueza…
Ao invés de rotulá-los como os grandes vilões, vamos olhá-los como humanos iguais a nós, passíveis de erros e acertos. Vamos assumir (ou descobrir) nossa parcela de responsabilidade no relacionamento. Vamos cultivá-lo e dar espaço para que também possa expressar e trabalhar suas emoções. Desta forma, ele vai deixando de ser um “traste”, para se tornar o nosso companheiro.
O príncipe encantado existe, mas não aquele idealizado, que já vem pronto. Quando mudamos o nosso olhar em relação aos homens, aí aparece o príncipe-companheiro. E encantado, não por estar enfeitiçado, mas porque nos encanta com a sua presença.
Para que tudo isso aconteça é preciso treino e perseverança, mas é perfeitamente possível!
Veja também: Repensando o Feminino – A mulher está se masculinizando?
Por Geisa Machado
Psicanalista
(11) 97249-2879


