
Enquanto guardo uma lembrança pensando ser um pedaço de mim, que aprisionado parece ser algo que por um momento usei e fui. Guardo apenas uma sombra do que provavelmente tenha sido, e que de muito longe, sequer parece mais comigo.
Eu fui, talvez, apenas talvez, o pedaço que guardo de mim. Não continuo sendo. Pode ser que nem sequer tenha sido o que penso que fui.
Mas guardo como um precioso pedaço que dura para sempre. Ainda que fosse eu, agora seria o quê? Um pedaço petrificado, mumificado, travado nas linhas do tempo e espaço. Resumido apenas na lembrança que guarda. Definitivamente não.
Uma fotografia, um livro com dedicatória, uma peça de roupa, um bilhete manuscrito, um ingresso de show, um objeto… Não é mais o que pensa que aprisiona, é só a lembrança de algo que foi ou do que queria que tivesse sido. Enfim, não é mais.
Abandone suas lembranças



