A Filósofa norte-americana Judith Butler vem ao Brasil pela primeira vez para o seminário realizado pelo Sesc em parceria com a Revista Cult, que acontecerá no Teatro do Sesc Vila Mariana nos dias 9 e 10 de setembro de 2015 e terá presença da pensadora e de pesquisadores sobre questões de gênero e sexualidade e terá transmissão online.
Da esquerda para a direita: Judith Butler, Richard Miskolci, Guacira Lopes Louro, Marie-Hélène Sam Bourcier,
Pedro Paulo Gomes Pereira, Carla Rodrigues, Marcia Tiburi, Jorge Leite Júnior, Berenice Bento, Leandro Colling, Karla Bessa e Larissa Pelúcio (crédito: divulgação)
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Os anos que sucederam a revolução sexual no mundo e o processo de redemocratização do Estado no fim dos anos 1980 foram um campo fértil para o início da discussão sobre a Teoria Queer no Brasil. Três décadas após este marco, diversos pesquisadores brasileiros e internacionais que representam a evolução no estudo da temática reúnem-se para participar do I Seminário Queer: cultura e subversões das identidades, que ocorre nos dias 9 e 10 de setembro, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, já com inscrições encerradas.
Uma realização do Sesc em parceria com a Revista Cult e com curadoria de Richard Miskolci, o evento contará com a participação de uma das fundadoras da Teoria Queer, Judith Butler (Universidade de Berkeley), que vem pela primeira vez ao Brasil para uma conferência no seminário (confira abaixo). Acompanhe as atividades do seminário pelo Portal SESC SP.
O seminário terá transmissão online no endereço sescsp.org.br/seminarioqueer.
Também integram a programação palestras com os acadêmicos Marie-Hélène Sam Bourcier (Universidade de Lille – França), Richard Miskolci (UFSCar), Carla Rodrigues (UFRJ), Karla Bessa (UNICAMP), Leandro Colling (UFBA), Guacira Lopes Louro (UFRGS), Jorge Leite Júnior (UFSCar), Pedro Paulo Gomes Pereira (UNIFESP), Berenice Bento (UFRN), Larissa Pelúcio (UNESP) e a escritora Marcia Tiburi (Universidade Mackenzie). Pesquisadores, estudantes, professores e demais interessados poderão participar de mesas divididas em eixos de discussão sobre Cultura e Política; Educação, Saúde e Aprendizados; Gênero e Sexualidade e Contra-Hegemonias.
Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do Sesc São Paulo afirma que “as discussões sobre gênero e sexualidade vêm retomando seu vigor nos últimos anos e, ao realizar o presente seminário, o Sesc reforça o compromisso de debater o tema da diversidade, o qual não se prende ao reconhecimento dos direitos fundamentais das minorias, mas que se baseia nos processos de diferenciação com a característica mais profunda daquilo que nos faz humanos”. Miranda complementa que “o Sesc tem em sua ação programática diferentes formas de promoção da diversidade existente nos múltiplos grupos humanos, é um espaço privilegiado para este tipo de debate, pois traz em sua missão uma ação de educação não formal e permanente, com o objetivo de valorizar as pessoas, estimular a autonomia pessoal, a interação e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir”.
A proposta da Revista Cult é introduzir o tema na pauta jornalística com a divulgação dos estudos queer desenvolvidos por um grupo de colaboradores, entre eles professores, estudiosos e pensadores. Em novembro de 2013, publicou um dossiê sobre a obra e grande entrevista com a filósofa Judith Butler. Em agosto de 2014, destacou-se como primeira revista não acadêmica a publicar um material profundo sobre o assunto com repercussão internacional após o dossiê “Teoria Queer – O Gênero em Discussão”.
“O que o seminário denomina de subversões das identidades é um movimento histórico já em andamento há décadas, em que os sujeitos, em seu cotidiano, estão rompendo positivamente com normas violentas e injustas que os aprisionavam em uma única maneira de existência”, explica o sociólogo, coordenador do Quereres – Núcleo de Pesquisa em Diferenças, Gênero e Sexualidade e curador do evento, Richard Miskolci. “A vida íntima, o desejo e a sexualidade não são questões individuais ou privadas, mas de interesse público associado a demandas contemporâneas de reconhecimento e acesso a direitos”, justifica.
SOBRE OS ESTUDOS QUEER
A Teoria Queer surgiu na década de 1980, a partir da confluência de vertentes radicais do feminismo e dos estudos gays e lésbicos, e propõe uma análise crítica à hegemonia heterossexual, interpretada como uma imposição cultural que permeia o discurso e a prática em diversos âmbitos da realidade social, cultural e política.
Segundo Miskolci, os estudos queer têm contribuído com um movimento maior de democratização do currículo e respeito aos direitos humanos na educação: “focam no heterossexismo institucional, na demanda presumida da heterossexualidade que se associa frequentemente à recusa e perseguição a outras formas de expressões do desejo. Também reconhece e auxilia a compreender e aceitar as diferentes formas de vivenciar o gênero para além do binarismo masculino-feminino”.
Ainda que a produção norte-americana dessa corrente de estudos seja a mais conhecida, o antropólogo argentino Néstor Perlongher foi um dos pioneiros queer. No Brasil, essa vertente de reflexões possui um campo de pesquisa bastante desenvolvido, porém ainda restrito às universidades, com processo de consolidação em diferentes áreas na academia brasileira, como Sociologia, História, Educação, Linguística, Comunicação, Antropologia e Artes.
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