Este era um texto que deveria começar com uma carinha triste. Triste para representar como me sinto comigo mesmo ao me deparar nas redes sociais com pessoas que gosto muito, tenho boa amizade, considero inteligentes, cultas e elas tem uma opinião politica diferente da minha. Não devia estranhar, afinal, um acredita em vida após a morte, outro não. Um crê em vida alienígena, outro não. E são as diferenças que acabam contemplando todas as pessoas e todos os gostos.
Ao gritar contra a corrupção não se está defendendo um partido. Vou ser sincero o bastante para questionar se há “um tanto de corrupção” que deva ser aceito… Pelo menos por enquanto, afinal, todos estamos submetidos a ela, o tempo todo, desde que nascemos e levará tempo para aprendermos a fazer diferente em nosso arraigado jeitinho brasileiro.
A princípio sou um cidadão de bem e honesto, mas fazendo caminhada pelo meu bairro avisto um sujeito que tira da sua mochila filmes em DVD e me oferece. Aleatoriamente ele me mostra o “Spotligth”, ganhador do Oscar, não resisto e digo que vou levar. Quanto? Cinco reais. Tiro 10 pratas e ele reforça a oferta: três por dez. Estava sendo corrompido por 1, mas com uma vantagem destas porque não aceitar os 3? A (pequena) corrupção é assunto pouco discutido e muito bem assimilado, inclusive é pecado pequeno e parece não tirar o visto de entrada do céu. Será mesmo?

Estes amigos que tanto admiro provavelmente compartilham de tudo que disse até aqui, mas mesmo assim, contrariando provas, falcatruas totalmente imorais, áudios vazados, ex-comparsas em delações informando como tudo funcionava, ainda assim, postam publicações a favor do tal partido, “o tal perseguido”…
Eu me mordo. Não pelos petistas em geral. Eles tem todo direito de expressar sua preferência e convicção. Assim como qualquer um que pense diferente, também tem. Mas, aquelas pessoas que gosto demais me causa profunda decepção, vergonha alheia e não-sei-o-quê mais. Carinha triste me representa.



