
Esta semana estive pensando em como os “autos” estão na moda; até o Método que ensino é baseado na auto-suficiência. Ligo a televisão e encontro dezenas de programas discorrendo sobre auto-sustentabilidade, leio entrevistas com esportistas e auto-superação é o ó do borógódó, banqueiros falam em auto-controle e eu mesmo corro atrás de auto-conhecimento.
No entanto, gostaria de pedir um minuto de silêncio ou de interrupção da leitura para os 800 auto-móveis que invadem o Estado de São Paulo diariamente, nos fazendo crer que sejam um mal necessário, uma vez que não temos uma decente e segura malha de metrô que corte a cidade de cabo a rabo como a cidade de Paris e New York, as quais, diga-se de passagem, não possuem o tamanho nem o contingente da megalópole paulista.
Fazendo uso dos neurônios, creio que a disseminação dos “autos” acontece por duas razões: com toda essa parafernália tecnológica, estamos cada vez mais auto-sustentáveis, presumindo que podemos viver em uma bolha de isolamento sensorial. Não obstante, em contrapartida, vejo a compreensão por parte das pessoas de que não podemos mais esperar para que as coisas sejam feitas ou modificadas. Em outras palavras, nós mesmos temos que tomar a direção dos fatos, pois pelo visto e pela espera, ninguém fará por nós.
O que quero dizer é que não importa se o que pudermos fazer seja pouco ou de ínfima efetividade diante da infindável quantidade de mudanças que nossa sociedade necessita: sempre terá sido de grande valia, sobretudo se cada um fizer a sua parte. Certa vez uma floresta estava em chamas e a fauna toda saiu em disparada. O leão avistou o pássaro, em seu esforço sobre-animal, indo e vindo com um balde cheio d’água em seu bico, o leão chamou a atenção dos outros animais para o fato e todos gargalharam da ave. Lá de cima, ela bradou: “Pelo menos estou fazendo a minha parte!”
Microcosmos devem auxiliar o macro. Paremos de esperar auxílio de divindades ou de papai universo e mamãe natureza; das pequenas, faremos as grandes. As tentativas dos governantes parecem não ser suficientes, autênticas ou realistas. A sociedade está se mobilizando para cuidar de algo que é nosso: as leis dos homens e os recursos naturais. As mais eficientes mudanças são aquelas que partem de nosso interior, pois foram criações nossas e trazem maior autenticidade, já que surgem da consciência e das necessidades que encontramos no meio do caminho, sendo assim, acreditamos nelas e isso faz toda a diferença.

Imagens via instrucoesleonisticas e semjesusvocepirou
Tudo na natureza segue seu curso irrefreadamente. Há uma troca contínua, um círculo virtuoso, ação e reação, dar e receber, ir e vir, nascer e morrer, desenvolver e transformar-se…essa percepção é de maciça importância para nossa relação com ela e com nossas próprias vidas. Não podemos só sugar, extrair sem devolver as possibilidades de seu renascimento, afinal é uma via de mão dupla. Muitas vezes, parecemos àquele adolescente mimado que só quer e nada dá em troca. Sustente-se meu amigo, pare de ser sustentado.


