
A necessidade de um pensamento voltado às questões econômicas é fundamental, e como sabemos, no jogo duro da globalização financeira não faltam acadêmicos de países bem sucedidos querendo transmitir lições enviesadas aos países em desenvolvimento. Da mesma maneira, não faltam organismos internacionais prontos a oferecer programas econômicos austeros, sem, entretanto, financiarem a rede de proteção social que deve aliviar a pobreza agravada pelos efeitos dessas políticas macroeconômicas.
O pensamento estratégico deve, portanto, com prudência, analisar e separar aquilo que os países bem sucedidos de fato fizeram nas suas economias daquilo que, com base em diagnósticos enviesados, nos aconselham a fazer.
Nas relações políticas internacionais a teoria e a prática nem sempre coincidem. Em bom português, estamos lidando com o risco mostrado no tradicional ditado: “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”.
Na Grécia antiga, a palavra “práxis” significava a atividade desenvolvida por homens livres. Para Aristóteles, o objetivo final da “práxis” era a ação, que envolvia o conhecimento prático nos campos da ética, da economia e da política. A eupraxia era a boa práxis, a fortuna, enquanto que a dyspraxia era a má práxis, o infortúnio. Aristóteles separava bem a prática da teoria, atribuindo à teoria a busca da verdade, enquanto que o objetivo da práxis era a ação, independentemente do seu compromisso com a verdade.
O valor das definições aristotélicas no domínio das ciências econômicas ficou bem comprovado com sua utilização no desenvolvimento econômico dos países do Primeiro Mundo.
A integração entre política e economia mereceu um capítulo especial no livro A Era da Turbulência, de Alan Greenspan, o autor critica a “práxis” de vários governos do seu país, desde o de Eisenhower, que chegou a desculpar-se com o povo americano por ter gerado déficit de USD 3 bilhões em determinado ano, passando pelo de Kennedy, Johnson, Carter e os seus sucessores. Segundo Greenspan, Kennedy “propôs ao Congresso em Janeiro de 1963 uma renúncia fiscal de grandes proporções – a maior até hoje, ajustada ao tamanho da economia, desde a Segunda Guerra Mundial, e quase tão grande quanto a soma dos três cortes de impostos de George W. Bush.”
Greenspan conta que Lyndon Johnson promulgou a lei da desoneração tributária pouco depois da morte de Kennedy, mas que algo não batia na contabilidade do Presidente Johnson. Greenspan chega a afirmar o seguinte: “Desde o início ele (o Presidente Johnson) foi pouco rigoroso com os números…Dissequei a proposta orçamental que o presidente apresentara ao Congresso em 1966 e constatei que o orçamento subestimava o custo provável da guerra (do Vietnã) em pelo menos 50%”.
Outras lições preciosas a respeito do contraste, no âmbito das relações internacionais, entre a teoria, que busca a verdade, e a “práxis”, que busca a ação com resultados, são dadas por Dani Rodrik, professor de Economia Política da Universidade de Harvard.





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