
O estilista japonês Issey Miyake parece estar sempre a frente quando o assunto é moda com tecnologia. Desde 2007, Miyake fundou o Reality Lab, um grupo de pesquisa e de desenvolvimento que tem como objetivo explorar novas maneiras mais eficientes, ecológicas e acessíveis para produzir roupas. Para ele, estilistas devem considerar os problemas atuais que nos afetam antes de desenvolver qualquer tipo de produto.
No final de 2010, o grupo do Reality Lab desenvolveu o projeto 132 5. ISSEY MIYAKE, uma coleção de roupas geométricas dobráveis que lembram um origami. O título do projeto já explica todo o seu conceito: um pedaço de tecido, uma forma tridimensional reduzido e um quinto elemento. Este quinto elemento é na verdade a quinta dimensão que surge a partir do momento que a roupa é vestida, pois assim, hipoteticamente, a roupa cria vida. A ideia parece um tanto louca explicando desta maneira, mas na verdade é bem simples em um português mais claro. Baseando na tecnologia dos famosos plissados de Issey Miyake, aquela mesma que revolucionou a moda em 1989, a equipe do Reality Lab com o apoio do professor e cientista Jun Mitani desenvolveu um algoritmo (sequencia finita de instruções bem definidas para ser executada mecanicamente) que, ao invés de cortar e costurar tecidos, cria formas geométricas únicas em 3D, que podem ser dobradas em formas 2D para, então, serem termicamente pressionadas tornando-se camisas, saias, calças, vestidos ou bolsas dobráveis.
A inovação do projeto não está apenas no processo computadorizado, como também no material utilizado. A coleção é produzida apenas com tecidos ecológicos feitos de garrafas PET ou da combinação de outras fibras recicladas. Segundo Miyake, a ideia da coleção é regenerar e recriar maneiras de fazer roupas que dão alegria e satisfação aos usuários.

