
Ainda com preguiça, consegui sair da cama na manhã do sábado passado. Liguei a TV e, em direção ao banheiro, escutara que Amy Winehouse havia sido encontrada morta em Londres. Voltei estarrecido sentei-me na cama. Choque. Havia perdido um ídolo da minha geração.
Meu primeiro contato com Amy Winehouse foi em 2004, em Londres. Estávamos eu e minha irmã num café quando ouvi uma cantora de voz forte, marcante e penetrante. Perguntei quem era e minha irmã respondeu com brilho no olhar: Amy Winehouse. Ela já conhecia e era fã. Foi então que no mesmo dia fomos a uma loja comprar um CD para mim.
[http://www.youtube.com/watch?v=TJAfLE39ZZ8]
Amy Winehouse interpretava músicas sobre temas polêmicos, com toques de baladinha e tons engraçados, como Stronger Than Me e Amy Amy Amy. Talvez qualquer outro intérprete do mesmo estilo musical teria colocado um peso até depressivo sob suas músicas, caso as interpretassem… mas Amy, não. Ela era diferente.

Foto: 9dades
Gostava daquela imagem de garota-mulher. Era mais encorpada, usava seus cabelos soltos com volume, não tinha tatuagens, suas roupas eram justas, curtas, coloridas e divertidas. Até então, sua vida pessoal não era muito relevante. Apenas a música importava – e ela dava motivos para isso.
Só em 2006 ela lançou um novo álbum. À primeira vista não percebi as mudanças de Amy Winehouse no encarte do cd. Algo em sua feição estava diferente, mas sua música continuara a mesma: divertida, forte, animada, autobiográfica, dançante e comovente.
Como dito, sua estética mudara drasticamente. O visual Pin-up havia sido adotado. Emagreceu. Tatuagens adornavam seu corpo. No palco, vestidos femininos e saltos altos; no dia a dia, calças justas, regatas e sapatilhas de balé. Independentemente de estar no palco ou não, Amy sempre se apresentava com a signature-eye-makeup e o cabelo montadíssimo.
Seu comportamento ficara mais exposto assim como sua vida pessoal. Sob o holofote da mídia, seu namoro com Blake Fielder-Civil rendia muitas noticias, assim como seu comportamento lady-rebelion. Aí consegui enxergar que Black to Black era praticamente uma autobiografia do cotidiano da cantora em diversas situações familiares, amizades e de seu conturbado e dicotômico relacionamento com Blake.

Foto: Agência de Internet
Noite após noite, bar após bar, escândalo após escândalo… os acontecimentos da sórdida e, porque não, triste vida de Amy se pronunciavam. Era normal vê-la bebendo durante os shows. Uma taça de vinho ao longo dos anos se tornou duas, três, quatro garrafas durante uma apresentação. O poder de sua voz era contraposto por murmúrios. Suas dancinhas se tornavam estáticas. Suas produções passaram de vestidinhos para shorts jeans e regata suja. A conversa com o público passou de brincadeiras para ofensas. Na mídia era somente Amy bêbada, drogada, viciada, esquelética, escandalosa…
Para alguns, o comportamento de Amy era legal! Mais fantástico do que suas músicas em si. A cantora que canta doidona de tudo que é ilícito. Ela fazia apologia às drogas? Acho que não, mas todos sabiam o que ela usava e achávamos aquilo tudo admissível.
Nunca se ouviu falar dos fãs pedindo e intervindo para que ela ficasse sóbria e voltasse aos seus dias de glória. Pelo contrário, a maioria queria ver Amy alterada. Não me esqueço de que quando ela veio ao Brasil, todos estavam ansiosos para o show. No dia seguinte, como previsto por alguns, protesto geral: “Amy drogada, quero meu dinheiro de volta! Show de mer…Não cantou nada! 12 músicas? 12 músicas? Cadê a simpatia? Cadê a voz dela? Me arrependi total! Essa ai já não esta mais entre nós”, e por aí vai.

Foto: Boyish ‘n Girly










