Lisiane me escreveu contando sobre alguns episódios do seu dia a dia e terminou com a seguinte pergunta: “Você acha que eu caio em xaveco barato?”
Nenhuma pergunta é tola. E nenhuma resposta é completa o suficiente se não encontrar dentro daquele que pergunta algo que faça sentido. Sendo assim, tento responder buscando o que exatamente o sujeito quer dizer com isso. É como se a pergunta pedisse uma tradução que a própria pessoa que a formulou desconhece, pelo menos conscientemente, existe uma angústia e ela busca compreender o que exatamente a aflige.
Uma forma de “acalmar” estas angústias de nossas dúvidas é nos voltarmos para nossas questões internas. Palavras que escuto aqui fora, com aquilo que ouço dentro de mim, tendem a encontrar algo que combine e me esclareça questões, fazendo sentido no meu quebra-cabeça interno.
Nossas dúvidas são geralmente emocionais e acabamos confusos com estas questões que parecem simples e que a razão poderia responder facilmente. Entretanto, as respostas nunca são tão simples e os enigmas por mais bobos que possam parecer, vem geralmente do nosso interior escondido e desconhecido para nós mesmos. É aí que se arma a confusão, por isso acho que uma resposta sim/não torna a questão superficial.
Um cara no metrô ressalta aos olhos, outro na fila do banco pergunta sobre o trabalho, no restaurante surge um comentário sobre a tattoo na perna, na internet alguém me chamou de gostosa e desandou a falar obscenidades e assim segue dia após dia. Valeu um beijo e a fila anda. Os resultados dessas cantadas são curiosamente desastrosos. Será coincidência? Ela não sabe escolher os parceiros? Aceita qualquer conversinha?
Lisiane me relatou alguns resultados dos seus rápidos casos: o bombeiro tinha mau hálito, o do metrô não conseguia articular uma conversa sobre nada, o cara do banco só queria transar, o da internet era casado…






