
Recentemente foi anunciada à humanidade a confirmação da existência de uma partícula subatômica, identificada com quase absoluta certeza como o bóson de Higgs, previsto em pesquisas desde 1964 pelo físico escocês, Peter Higgs.
A unidade básica do campo de Higgs denomina-se bóson e significa “aquele que transporta a energia”, havendo sido sua existência comprovada há poucos dias, pelo CERN, centro de estudos avançados da Física teórica, situado na Europa, na área da divisa entre a França e Suiça. O CERN possui um grande cilindro de 27 km de extensão, enterrado a 100m da superfície, chamado acelerador de partículas, onde as condições primordiais são reproduzidas, com o bombardeio da partículas subatômicas e onde pôde ser comprovada a veracidade da teoria do bóson de Higgs.
Mas, afinal de contas, o que é isso e em que pode me interessar?!
É a teoria que previu a existência de um campo invisível no universo, como uma rede, denominado campo de Higgs, formado pelos bósons, partículas primordiais que provocam o efeito de desacelerar a energia de outras partículas subatômicas ao interagirem com elas, conferindo-lhes massa – isto é, matéria!
“Um detalhe importante: não é a partícula em si que produz a massa. É o campo associado a ela — uma entidade real que permeia o espaço. Em essência, o campo de Higgs é como uma gosma pegajosa que existe em toda parte. As demais partículas, ao atravessá-lo, sofrem resistência. E com isso ganham suas massas. Cada partícula interage de forma diferente, e por isso tem massa diferente. Já uma partícula que parece indiferente ao campo de Higgs é o fóton, que faz a luz. Por isso a luz viaja pelo espaço na velocidade máxima permitida — ela não sente a gosma pegajosa e, portanto, não tem massa.” Explica Salvador Nogueira.
Por isso é chamada também partícula de Deus, nome que os cientistas detestam, mas que exprime bem o momento crucial em que a energia adquire massa, matéria. Outras partículas, como os fótons, unidades básicas da luz, não têm matéria.


Bóson de Higgs são partículas primordiais, que provocam o efeito de desacelerar a energia de outras partículas subatômicas ao interagirem com elas, conferindo-lhes massa – isto é, matéria. Imagem via Dicas Net e TecMundo
A descoberta pode, deve e precisa lhe interessar, porque é algo essencial ao nosso mundo contemporâneo – lembra-se de quando no colégio você estudou o átomo, em Física, e que os átomos são formados de partículas, como prótons, elétrons, nêutrons…? É algo que está na origem da formação da matéria e que toca a você profundamente, como, por exemplo, quando precisa de uma radiografia. Isso é energia atômica, como a das usinas nucleares para produzir eletricidade, e ainda há muitos outros usos da energia nuclear para fins pacíficos, sem os quais o nosso mundo não teria alcançado tanta tecnologia como se tem hoje, além, infelizmente, da destruidora bomba atômica.
Mas por trás há todo um esforço da Física teórica (inclusive porque é dela que virá, por exemplo, a definitiva cura do câncer) que depende ainda de um modelo de compreensão que entenda o comportamento da natureza no seu nível mais fundamental.




