
Se não me engano, foi a TV Cultura que há alguns anos exibiu uma matéria sobre pensamento positivo, a formatação de arquétipos ou qualquer tema correlato. O teste era baseado em um exercício que consistia no poder de imaginação e não dispersão de algumas pessoas.
Eles tinham que fechar os olhos e visualizar um enorme salão no qual se encontravam várias pessoas conhecidas como o chefe, colegas do trabalho, parentes, amigos, ex-namorados (as) e afins. Em seguida, se imaginavam atravessando o salão carregando diversos copos cheios d’água dispostos em uma travessa. Executavam isso mentalmente por alguns instantes, abriam os olhos e iniciavam a breve narração do que havia ocorrido nas profundezas de suas imaginações.
Para nossa confirmação de como o ser humano ainda está anos-luz de conseguir controlar o que pensa, os relatos foram até engraçados. A maioria não conseguiu completar a travessia intacta. Durante o trajeto, imaginaram-se tropeçando em tapetes, derrubando os copos em cima do chefe, escorregando e, consequentemente, sendo motivo de chacota para todo o resto do virtual público.
Significativa a percepção da demasiada importância que eles e nós, de uma forma geral, damos à opinião das outras pessoas, pois, no meu entender, foi essa a razão básica para os acontecimentos acidentais deste exercício. Assisti este documentário uma única vez e, infelizmente, nunca mais tive a oportunidade de revê-lo. No entanto, desde então, ele é freqüentemente citado nos meus cursos de mentalização, pois ilustra claramente o que chamo de auto-sabotagem em primeiro grau.

Foto: Spiritual Murcia
Desde criança leio que devemos nos atentar aos pensamentos, pois eles se transformam em palavras, as quais por sua vez tornam-se ações que viram hábitos e estes controlarão nosso destino. Por isso, se lá em cima, no primeiro escalão, na nascente da primavera dos pensamentos, recebemos a ordenação errada ou confusa, todo o resto do processo será prejudicado.
No famoso livro A Arte da Guerra, o general Sun-Tzu escreve: “Se as ordens do comando não forem bastante claras, se não forem totalmente compreendidas, então a culpa é do general”. Trazendo isso para o tema deste artigo, se a informação que provém do corpo mental não for clara, os soldados das ações e do acaso, talvez não concluam da forma que o “chefe” havia previsto. Se você lidera alguma coisa, sabe muito bem do que estou falando.



