
Conheça também o livro Caderno de Roupas, Memórias e Croquis, em que o estilista revela seu processo criativo. Por Laís Pearson
Engajado em criar “roupas da moda” que valorizam a cultura popular, a geografia, a música e a literatura do Brasil, sem esquecer elementos culturais globais, Ronaldo Fraga é o estilista mais “sui generis” do país. Nascido em Belo Horizonte em 1966 graduou-se em estilismo pela Universidade Federal de Minas Gerais e fez pós graduação na Parson’s School of Design, em Nova York, graças a uma bolsa de estudos que conquistou em concurso promovido pela Santista Têxtil.
Entre outros, fez um curso de chapelaria na Saint Martin’s School de Londres (incubadora de grandes nomes da moda internacional), abrindo com seu irmão uma pequena indústria de chapéus que eram comercializados com sucesso nas feiras de Camden Town e Portobello Road. Excursionou por toda a Europa com o dinheiro ganho com o “metier” conhecendo e observando hábitos e costumes dos diferentes povos. Foi premiado como “Estilista Revelação” pela coleção “Em nome do Bispo”, inspirada na obra do artista Arthur Bispo do Rosário, em 1997, na Phytoervas Fashion; em seguida passou a integrar o elenco de estilistas da Casa dos Criadores, abordando temas de moda polêmicos. Em 2000 coreografou um “pas-de-deux” com Jum Nakao, no desfile “A Carta”, prestando-se mútua homenagem.
Chegou à São Paulo Fashion Week em 2001, e daí em diante, enriqueceu o evento com sua inconfundível criatividade, narrando estórias e histórias através de suas criações.
Entre as coleções mais marcantes, “Quem matou Zuzu Angel ?” (verão de 2001/02) que lhe valeu o prêmio ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção como a melhor coleção feminina, “Rute Salomão” (inverno 2001) inspirada pelo holocausto, tiraram lágrimas da plateia, pela força da narrativa visualizada através das roupas.

Coleção “Quem matou Zuzu Angel ?” (verão de 2001/02) e “Rute Salomão” (inverno 2001)
Outros desfiles inesquecíveis de Ronaldo Fraga foram “Nara Leão” (verão 2007/08), “A China” (inverno 2007) – sátira à invasão dos produtos chineses, “Corpo Cru” (inverno 2002) – bonecos de madeira transportados por uma estrutura de ferro com roldanas, como carne nos frigoríficos apresentavam a roupa: fazendo um parênteses, o motor da engenhoca falhou e sem titubear, Ronaldo Fraga mandou as camareiras para a passarela, mostrando a coleção em cabides… E foi um sucesso, as pessoas aplaudiram de pé.
Memoráveis também foram “Tudo é risco de giz” (inverno 2009), inspirado na obra de Alvaro Apocalypse”, que fala do novo e do velho, da infância e da velhice, de histórias que podem ser apagadas com um trapo. Este desfile, do qual participei como “modelo idosa”, a convite do próprio Ronaldo Fraga, marcou pela sensibilidade do tema: “o tempo na lousa se vai e até as sereias envelhecem” – eu abri o desfile com o vestido da sereia!
São tantas as referências poéticas e literária da obra do artista – da moda e de outras artes – que não se deve querer citá-las, por medo de esquecer algumas …
Já o “enredo” da coleção verão 2013/2014 apresentada por Ronaldo Fraga na São Paulo Fashion Week foi inspirada pelo futebol. “Me embriago aqui pelo futebol passional e romântico de 1930, 40 e 50. Pelo futebol de várzea e seus uniformes feitos a mão. Pelas cores fortes e listras gráficas. Por histórias particulares que ilustram um tempo em que o futebol no Brasil era sinônimo de paixão, arte e magia”. Palavras do próprio mestre, cujo desfile causou polêmica, mas que novamente contou através das roupas um pouco de nossa história.
Ave Ronaldo Fraga …
Por Laïs Pearson

Laís Pearson desfilando para Ronaldo Fraga na coleção “Tudo é risco de giz” (inverno 2009), inspirado na obra de Alvaro Apocalypse”, que fala do novo e do velho, da infância e da velhice, de histórias que podem ser apagadas com um trapo

A coleção “Nara Leão” (verão 2007/08) e “Corpo Cru” (inverno 2002) – bonecos de madeira transportados por uma estrutura de ferro com roldanas, como carne nos frigoríficos apresentavam a roupa: fazendo um parênteses, o motor da engenhoca falhou e sem titubear, Ronaldo Fraga mandou as camareiras para a passarela, mostrando a coleção em cabides… E foi um sucesso!

“A China” (inverno 2007) – sátira à invasão dos produtos chineses

A coleção “Turista Aprendiz” – Verão 2010/2011 trouxe às passarelas a beleza do artesanato nordestino. Já na coleção “Athos do início ao fim”, o estilista que buscou inspiração nas obras de Athos Bulcão, o mosaicista que fez trabalhos incríveis como os azulejos da Igrejinha em Brasília, em parceria com Oscar Niemeyer
O “enredo” da coleção verão 2013/2014 apresentada por Ronaldo Fraga na São Paulo Fashion Week foi inspirada pelo futebol.“Me embriago aqui pelo futebol passional e romântico de 1930, 40 e 50″ revela o estilista

















