É possível viver sem vínculos?
“ Não, porque ninguém pode existir sozinho. Cada qual precisa do outro para se construir e se conquistar, para se tranquilizar às vezes, e para compartilhar momentos, ideias e desejos. O outro é precioso na medida em que representa uma abertura para o mundo. Por isso é que deveríamos sempre nos indagar sobre a natureza do vínculo que nos liga mutuamente.
Etimologicamente, a palavra “lien” (liame) vem do latim, liganem, “que serve para atar”. O francês antigo utilizava palavra “lien” nos casos em que hoje se usa a palavra “laisse” (trela).
Portanto, segurava-se o cão pela “trela” para impedi-lo de escapar quando ele tinha veleidades aventureiras e vontades de grandes espaços. Depois, a palavra “lien” adquiriu o sentido de entraves (peias) de um prisioneiro. Nota-se que, na origem, o liame é coação e impede a liberdade, ao menos a liberdade de movimento.
Foi apenas no século XII que a palavra passou a ser empregada em sentido figurado tendo, conforme o contexto, “valor do que une afetiva ou moralmente” e de coerção resultante de um voto”, qual seja os laços do casamento. Na época clássica, o laço tornou-se “aquilo que mantém uma estreita dependência, em servidão”, designando a escravatura amorosa; depois, de modo um pouco atenuado, a palavra adquiriu o sentido de “relação afetiva”, tal como na expressão laços de amizade”.
Ou seja, é uma palavra carregada de sentidos. O laço ata, aprisiona, coage, submete, etc.




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