Lembro da primeira vez que vi Dado Ruspoli, príncipe italiano, o homem mais bonito da época, famoso por suas excentricidades. Num tempo em que moda masculina não existia, ele surgiu em uma piazzeta de Capri de calca comprida vermelha, camisa de seda preta, largona, tipo cigana, e descalço; no ombro, um falcão (vivo), com uma corrente de ouro na pata que ia desde o pulso de Dado – mais dolce vida impossível.
(Se alguém achar que esse visual é de gosto duvidoso, lembro que naquele tempo, pelo menos para um certo grupo, não havia ditadura da moda – cara um fazia o que queria,e, quanto mais criativo e ousado, melhor. Uma vez, em Paris, cortei o cabelo bem curtinho, pintei de laranja e fiz mechas pretas, meio à la leoparto. Em outra ocasião, num trem, na Itália, abri o estojo de maquiagem e usei o batom vermelho como sombra de olho e a sombra verde com batom – foi um sucesso).
Quase Tudo, Danuza Leão (descrevendo o final dos anos 50)
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