Por muito tempo, falar sobre cuidados com a região íntima feminina esteve cercado de tabus. Mesmo com o avanço das discussões sobre saúde, bem-estar e autocuidado, muitas mulheres ainda desconhecem os tratamentos disponíveis e, em alguns casos, têm dificuldade até mesmo para identificar ou nomear o que causa incômodo. Ao mesmo tempo, a procura por procedimentos íntimos tem ganhado espaço nos consultórios e ampliado a discussão sobre queixas estéticas e funcionais.
Para a Dra. Karin Mokarzel, cirurgiã plástica com atuação em cirurgia íntima na TRĒ Clinic, essa mudança acompanha uma nova relação das mulheres com o envelhecimento e com o próprio corpo. Cuidados antes concentrados principalmente no rosto e no contorno corporal começam a incluir outras regiões. Além do processo natural de envelhecimento, mudanças após a gestação, emagrecimento expressivo e alterações relacionadas ao uso de hormônios podem repercutir na região íntima e motivar a busca por avaliação especializada.
Nesse cenário, um dos principais pontos é entender que cirurgia íntima não se resume à labioplastia, procedimento para redução ou remodelamento dos pequenos lábios. Dependendo da anatomia e da queixa apresentada, a abordagem pode incluir lipoaspiração do Monte de Vênus, remodelamento dos grandes lábios, tratamentos do capuz clitoriano e técnicas específicas para casos de aumento ou hipertrofia do complexo clitoriano. Preenchimentos, bioestimuladores, lasers e peelings também podem fazer parte das opções terapêuticas. A indicação de cada procedimento, porém, deve partir de uma avaliação individualizada.
Quando procurar avaliação especializada para procedimentos íntimos?

Entre os motivos que levam as pacientes a buscar avaliação estão o desconforto durante exercícios físicos, como andar de bicicleta, ou ao usar determinadas roupas, a sensação de atrito ou excesso de volume na região íntima e os incômodos durante a relação sexual. Mudanças após a gestação ou uma perda de peso expressiva, assim como alterações de flacidez, volume, ressecamento, pigmentação e textura dos tecidos, também estão entre as principais queixas. Para algumas mulheres, essas situações podem gerar constrangimento, vergonha ou insegurança em relação ao próprio corpo, interferindo na intimidade, na autoestima e na qualidade de vida.
“Existe uma diversidade anatômica muito grande e não devemos estabelecer um padrão de como a região íntima feminina precisa ser. Uma característica diferente, por si só, não significa que exista indicação para um procedimento. O que precisamos entender é se há uma queixa associada, se aquilo provoca desconforto e interfere de alguma maneira na rotina ou no bem-estar da paciente. Você não precisa normalizar e forçar o convívio com algo que traz desconforto”, explica a Dra. Karin Mokarzel.




