Representado pela Klaus Steinmetz Contemporary, de Costa Rica, o escultor pernambucano radicado há 20 anos em Paris expõe na SP-Arte 2013.

Impossível passar em frente a um trabalho esculpido por Mozart Guerra e não permanecer com os olhos fixos ali por um bom tempo. Há sempre uma imagem forte carregada por uma mensagem intrigante, uma crítica. E desde que ele começou a se dedicar a escultura foi assim.
Numa primeira fase de sua trajetória, os trabalhos eram marcados pela criação de corpos humanos opulentos que ganhavam características realistas através da seleção das cores da pele a do molde da expressão dos personagens.
De 2004 para cá, sua identidade como escultor passou por uma transformação. “Atualmente ocorre o inverso. As formas são realistas, mas estão cobertas por um tratamento pictórico imaginário e com um grafismo que distância essa forma da realidade”, explica acrescentando que hoje o molde de animais se impõe em seu trabalho. “Em ambas as fases eu associo sempre realismo e fantasia”.

A técnica e materiais que ele utiliza são praticamente os mesmos: poliestireno (isopor) ou a espuma de poliuretano expansiva para dar a forma. O que mudou foi a maneira de cobrir cada peça. Saiu o papel pintado e entraram as cordas coloridas. “São uma nova ‘pele’ que recobre as minhas esculturas até hoje”, diz.
Como caracterizar a obra de Mozart? Em suas próprias palavras, “realizo um trabalho inevitavelmente contemporâneo quando dou uma forma de expressão a materiais criados para outras finalidades. Não se trata de um trabalho de reciclagem, mas de, como diz-se em francês, do détournement do material, ou seja, um desvio proposital de sua utilidade”.
E é exatamente dentro desse conceito de subversão que podem ser enquadrados os trabalhos que Mozat preparou para a SP-Arte 2013. “Será uma irônica montagem sobre a relação ambígua que o ser humano exerce com a natureza. Ao mesmo tempo em que ele a admira , ele a destrói. O jogo de dardos ao alvo será um símbolo frequente nas peças. Uma certa leveza que não esconde o senso critico que eu tento transmitir”, finaliza.
Cada uma das obras que estarão na feira foram trabalhadas em seu atelier em Montmartre, Paris, cidade em que vive há exatas duas décadas e onde começou a dar seus primeiros passos como escultor. No stand da galeria Klaus Steinmetz Contemporary, o público pode conferir – ao lado das criações de artistas como Rolando Cladera e Alex Rodriguez – as obras que passaram pela edição 2012 da ArtRio Fair 2012, na cidade do Rio de Janeiro.







