O artista Alexandre Mavignier tem presença destacada na Bienal de Arquitetura de Veneza. Em parceria com a Saphira & Ventura Gallery, levou para a exposição sua escultura intitulada Amazon Tears, ou Lágrimas Amazônidas, em português. Além de quatro obras da série de “Carbografias”- “Mulheres
Gigantes”. As obras permanecem expostas na cidade italiana entre 23 de maio e 25 de novembro de 2021.
Mavignier é artista da renomada galeria Saphira & Ventura Gallery de NY que juntamente com a NYICAS (New York International Contemporary Art Societ) em colaboração com ECC (Eropean Cultural Center)
apresentam: Time Space Existence – 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza em 2021.
A obra é de encher os olhos e a história por trás de sua construção expõe a triste realidade dos incêndios criminosos na Amazônia. Evocando ainda, as consequências para as águas e para o clima do planeta. Assim, tem o propósito de conscientizar através da arte.
Denise Pitta, Laís Rodrigues e Vinícius Moura, em nome do Fashion Bubbles e da Saphira & Ventura Gallery, entrevistaram o artista e, em seguida, você conhecerá um pouco dos bastidores de sua carreira e do seu processo criativo. Confira!
Quem é Alexandre Mavignier?

Um artista multidisciplinar, Alexandre Mavignier é paulistano envolvido com artes plásticas desde os 14 anos de idade. Autodidata até os 22 anos, ingressou na Faculdade de Belas Artes de São Paulo em 1988, onde conheceu sua musa, a arquiteta e urbanista sustentável Patrícia O‘Reilly.
Patrícia é uma grande referência nacional, bem como mundial em arquitetura e urbanismo sustentável (mas, esta é uma outra história).
Os símbolos são constantes em suas obras, ou suas obras são constantes em muitos símbolos. De fato, eles permeiam todos os seus processos: desde as matérias-primas, suas transformações, como os busca, e as ferramentas que constrói para libertá-las a partir de sucatas. Desta forma, seu fazer artístico se encontra em diversos tipos de resíduos dos quais se utiliza, entre eles temos:
- RCDs (resíduos de demolição e construção);
- RCCs (resíduos da construção civil);
- RSUs (resíduos sólidos urbanos);
- E, os por ele nominados RVIs (resíduos da vida incendiada) e “(RVAs resíduos de alma), em universos de possibilidades material e imaterial”, como diz.

Alexandre acredita que a arte tem um significado maior:
“… a verdadeira obra é o que não é ela, é o que ela mesma não pode dizer plenamente, é aquilo que a própria imagem jamais dirá de si mesma …”.
A emoção aconteceu “como pensamento sentido”, foi batizada na obra “Amazon Tears” de “pensafetos”, vendo-os infiltrar na percepção a consciência de estarmos todos envolvidos, queiramos ou não.
A urgência da presença do outro na arte é premente, ou seja, é do ser, é o que constrói, é o que transforma…”, afirma Alexandre Mavignier .
Ao mesmo tempo, Mavignier se dedica ao empreendedorismo. É responsável pelo núcleo de arte, tecnologia e comunicação do Atelier O´Reilly Architecture & Partners – Sustainable Strategies, bem como do Atelier Mavignier.
Siga Alexandre Mavignier no Intagram: @mavignier_art
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Por que a utilização de resíduos como matéria-prima para suas obras?
Ao ser perguntado por que utiliza em sua arte prioritariamente resíduos, a resposta apresenta a conta de uma série de sombras de um momento perturbador:

Uma conta que não fecha
“… Até o ano de 1.800 éramos 1 bilhão, de 1.800 até 2.021 ultrapassamos 7,874 bilhões de sombras de seres humanos no planeta. Estima-se que tínhamos 6 trilhões de árvores na Terra, que atualmente estão reduzidas a 3 trilhões.
Assim, precisamos plantar 1.2 trilhões de árvores para tentar conter o aquecimento global, com objetivo de conseguir reduzir drasticamente o excesso de dióxido de carbono na atmosfera (associado a um conjunto de outras medidas).
Nesse ínterim, 15 bilhões de árvores são removidas por ano, e, cinco bilhões são plantadas…
Em 2021 precisaremos de 1,6 planetas Terra para suprir nosso consumo, mas só temos um.” Alerta Alexandre.
A Terra e sua capacidade de regeneração em risco
“A melhor maneira de exemplificar este momento é você se imaginar no meio do oceano, em uma noite sombria, sem salva vidas, em um barco com muitos furos. Ou seja, indo a pique, onde a maioria dos passageiros seguem furando-o mais, enquanto uns poucos tentam desesperadamente tapá-los, e ou conscientizar aos demais para que deixem de furar o barco, já que não tem mais dedos para tampar tantos furos.
Nosso consumo sobrecarregou a Terra. Portanto, conseguimos o impensado: ultrapassamos a capacidade de regeneração do planeta desde 1970, saldo negativo que só cresce.
Por essa razão, meu ofício fosse qual fosse, seria repensado, e, principalmente reduziria meu consumo, reutilizando e reciclando materiais…
Não existimos sós, nem com o que apenas nossos olhos alcançam ver, existe um universo de responsabilidades, materiais, intenções, relações, vínculos, estruturas, histórias… As tais coisas invisíveis, que o devir deseja revelar …” . Explica.
Tudo sobre a obra Amazon Tears e seu pedido de socorro

A Amazon Tears consiste em uma instalação de teto feita com pedaços de carvões amazônicos. A ideia foi, por analogia, representar as lágrimas negras da Amazônia com 994 pendentes.
A escultura apresenta como forma, a torção de uma ondulação construída com carvões oriundos dos incêndios florestais, coletados pelo próprio artista. Possui dois metros de diâmetro e um metro e trinta de altura, pesando 70 kg, inspirada nos rios voadores amazônicos.
“A obra é uma representação orgânica abstrata carregada de símbolos, paramétrica, construída com 994 pedaços de carvões trazidos de incêndios florestais amazônicos, que denunciam a violência do homem contra ele mesmo e contra a natureza.
Expõe a dor da Amazônia em devastação, presente na trama material e imaterial que arrasto da entropia e da distopia “amazônica” com uma mão, e da utopia “amazônida” com a outra.” (explica Alexandre)

O que representa a obra Amazon Tears?
“Os aspectos simbólicos da obra expressados pelas figuras do carvão, da linha de pesca, da base construída com tábuas de palafitas onde estão penduradas 994 linhas de pesca com carvões em lugar de iscas, resultando em uma imagem forte e passível de várias interpretações.

“ A Amazon Tears representa o choro da floresta que se vê morrendo pelas mãos dos homens , a quem mantém.



























